Famílias das vítimas ainda exigem justiça e respostas
Sete anos após o rompimento da barragem em Brumadinho, familiares das vítimas ainda aguardam por justiça. Nesta semana, algumas atividades foram promovidas no município para manter viva a memória das 272 pessoas que perderam a vida no local.
Reportagem de Vanessa Anicio e Vitor Ferreira
Há 7 anos, dona Maria Regina vive a angústia da ausência. “Eu sinto muita falta dela me tomar benção e de eu poder falar: ‘Deus te abençoe’”, lembrou a mãe de uma das vítimas, Maria Regina da Silva.
A dor é provocada pela falta da filha Priscila Helen, uma das 272 vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. “Essa dor da perda da Priscila, ela não tem tamanho e ela não tem fim. Mas a dor da injustiça de 7 anos, a gente sabendo que teve pessoas que teve responsabilidade no que aconteceu e essa justiça não se faz, essa dor, ela é terrível”, expressou ela.
A dona Maria faz parte da Associação de Familiares de Vítimas e Atingidos pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão em Brumadinho, a Avabrum, que luta em busca de respostas e justiça. “Até agora nada, não tem culpado, não tem punição, não tem ninguém na cadeia. Então, pra gente fazer o ato, pra gente estar em luta sempre, é está para trazer memória, para que todo mundo saiba, morreram 272 pessoas e até hoje não teve justiça”, ressaltou a viúva de uma das vítimas, Kenya Paiva Silva Lamounier.
Na esfera judicial, os acordos cívil e trabalhista seguem em execução. “Nós não podemos normalizar a morte no trabalho, seja ela individualmente, como normalmente acontece, seja ela numa magnitude, como foi o caso aqui do Córrego do Feijão, desse acidente da Vale”, afirmou o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, Marcelo Pertence.
Após a definição pela federalização do caso, o processo criminal avança para uma nova etapa em 2026. Estão previstos para esse ano o depoimento de testemunhas e as audiências de instrução que marcam o início do julgamento.
“A gente acredita muito que a justiça é pedagógica. Se não houver justiça, cada vez vai se tornando mais fácil matar pessoas no Brasil”, afirmou a viúva de uma das vítimas, Edi Aparecida Tavares Pinto.
Para marcar os 7 anos da tragédia, uma série de atividades está sendo realizada ao longo da semana em Brumadinho. A programação inclui atos simbólicos, manifestações culturais e debates sobre memória, direitos humanos e responsabilização.
Desde os primeiros dias após a tragédia, o programa Polos de Cidadania da UFMG acompanha as famílias atingidas, atuando na defesa dos direitos humanos e oferecendo apoio jurídico. Esse trabalho de 7 anos que reúne pesquisas e reflexões sobre Brumadinho, agora foi sistematizado em um livro lançado durante o seminário.
“Nossa ideia é e com esse primeiro livro que nós estamos lançando, a gente reunir essas experiências, contar essas experiências para que outros também possam se beneficiar”, falou a coordenadora de Polos de Cidadania UFMG, Maria Fernanda Salcedo Repôles.
Em Brumadinho, a memória segue viva, não apenas como lembrança, mas como resistência e cobrança permanente por justiça. “É o nosso sonho, é o nosso objetivo, justiça”, retomou Edi.
“Assim como eu tenho fé em Deus, no Deus que me mantém em pé, no Deus que me mantém viva para a luta, eu acredito que a justiça será feita”, concluiu Maria.




