BC intervém para proteger clientes e preservar a estabilidade do sistema financeiro
Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro
Em mais um desdobramento do caso Master, o Banco Central decidiu pela liquidação extrajudicial da Will Financeira, que encerrou as atividades em novembro. A decisão foi tomada para evitar prejuízos aos consumidores.
O comunicado de liquidação extrajudicial foi publicado logo cedo no portal do Banco Central. A justificativa foi o comprometimento econômico da instituição e a incapacidade de quitar as dívidas. Cerca de R$ 6 bilhões de reais deverão ser devolvidos aos clientes.
A Will Financeira faz parte do grupo empresarial do Banco Master. A empresa tinha autorização temporária de funcionamento e estava sob regime especial de administração desde novembro. A empresa atuava principalmente na oferta de crédito para pessoas de baixa renda e se popularizou nos últimos anos. A preocupação do Banco Central é com o potencial de prejuízos que poderiam ser causados ao sistema financeiro nacional se a empresa seguisse em operação.
A Will tinha uma base aproximada de 9 milhões de clientes. A instituição deixou de pagar uma operadora de cartão de crédito, aumentando o tamanho da dívida. Daniel Vorcaro era sócio da financeira e teve os bens bloqueados. O empresário é alvo de investigação por suspeita de irregularidades na gestão do Banco Master, que chegaram a comprometer o Banco Público de Brasília, o BRB.
Clientes das instituições liquidadas, com depósitos de até 250.000, vão receber o dinheiro de volta por meio do Fundo Garantidor de Créditos. “O Banco Central tem cumprido a obrigação dele, mesmo que isso repercute politicamente mal, porque a gente tá vendo as pressões que o Banco Central tá sofrendo por conta disso, tanto do Congresso, como da do judiciário também do Tribunal de Contas da União e por aí afora, mas o Banco Central demonstra uma firmeza”, concluiu o economista, Cesar Bergo.




