Assessor da Comissão de Bioética da CNBB reitera ensinamento da Igreja sobre direito à vida e comenta sentido da data celebrada nesta quinta-feira, 8
Gabriel Fontana
Da Redação

Foto: Canva
Celebrado em 8 de outubro, o Dia do Nascituro recorda uma nobre missão: defender a vida daqueles que não têm voz e ainda não podem se defender.
O Catecismo da Igreja Católica (CIC) indica que “é legítimo fazer respeitar seu próprio direito à vida” (n. 2264). Mas e no caso de um bebê que ainda está sendo gerado dentro do ventre de sua mãe, como ele próprio pode garantir que seu direito à vida seja respeitado?

Padre Marcelo Valentim / Foto: Arquivo pessoal
Assessor da Comissão de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Marcelo Valentim destaca que a Semana Nacional da Vida, promovida neste contexto, recorda que a vida tem sentido e a necessidade de redescobrir os valores que sustentam a existência humana.
“Defender e cuidar da vida implica assumir o compromisso de colocar a pessoa no centro de nossas ações, especialmente aquelas que se encontram em situações de maior fragilidade”, afirma o religioso camiliano. “Como discípulos de Jesus, somos chamados a viver com dignidade e a promover o direito à vida, desde a concepção até o seu fim natural”, salienta.
Guardiões da vida
Desde a concepção, a criança tem o direito à vida. O aborto direto, isto é, o que se quer como um fim ou como um meio, é uma prática “infame”, gravemente contrária à lei moral.
— CIC 2322
Médica especialista em Medicina de Família e Comunidade e pós-graduada em Ginecologia e Obstetrícia, Jamine Araújo Pinho reitera que a vida de um ser humano começa na fecundação, quando o espermatozoide se une ao óvulo. A partir desse momento, explica, já existe um novo organismo, com uma identidade genética própria, que vai se desenvolver durante toda a gestação.
“O bebê não se torna humano depois de algumas semanas. Ele já é um ser humano desde o início e vai passando por diferentes fases de desenvolvimento até o nascimento”, sublinha Jamine.
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Neste sentido, a médica aponta uma importante convergência entre a medicina e a Doutrina da Igreja. “A ciência nos ajuda a compreender que, desde a fecundação, existe uma nova vida humana em desenvolvimento. Por sua vez, a Igreja afirma que essa vida humana possui dignidade, que merece ser acolhida, defendida e protegida desde o seu início”, pontua.
Cuidar do bebê e da gestante
No contexto do Dia do Nascituro, padre Marcelo aponta que existem diversas formas de promover a defesa da vida: realizando encontros, celebrações, orando pelo nascituro, acolhendo as gestantes, incentivando e oferecendo condições para que realizem o pré-natal, além de participar das discussões e decisões sobre políticas públicas em defesa da vida.“Dessa maneira, damos visibilidade ao nascituro e contribuímos para que seus direitos e sua dignidade sejam reconhecidos e respeitados”, expressa.

Jamine Pinho e seu esposo Rivelino de Oliveira, também médico / Foto: Arquivo pessoal
Jamine observa que o bebê no ventre depende completamente da mãe para o seu desenvolvimento. Por isso, cuidar dele envolve também o cuidado com a gestante com toda a assistência médica necessária, mas também em outras áreas.
“Muitas mulheres vivem uma gestação em situações de medo, abandono, violência, dificuldades financeiras ou falta de apoio. Essas situações também podem colocar a mãe e o bebê em maior vulnerabilidade”, sinaliza a médica. “Defender a vida também é cuidar da mulher, porque quando amparamos a gestante, estamos também protegendo o seu filho”, salienta.
Cultura da vida
Uma verdadeira cultura da vida não abandona quem sofre, pelo contrário, aproxima-se, escuta, acolhe e oferece caminhos para que a mulher e seu filho sejam cuidados.
— Jamine Pinho, médica
Mesmo quando uma gestação não tenha sido desejada ou planejada, ,observa padre Marcelo, o casal e toda a sociedade são chamados a acolher a vida que está sendo gerada. Jamine recorda ainda que a Medicina trata de pessoas e deve levar em conta sua história, sua realidade e suas necessidades.
“Quando uma mulher enfrenta uma gravidez inesperada ou uma situação de vulnerabilidade, precisamos olhar para toda a sua realidade, não apenas para a gestação. Nesse contexto, é preciso escutar, acolher, compreender suas dificuldades, oferecer apoio e caminhos possíveis”, sinaliza a médica.
“Deus nos convida a sermos guardiões da vida e promotores do seu Reino”, retoma padre Marcelo. “Cada um de nós é um milagre, e aquilo que Deus tem preparado para nossa vida permanece, muitas vezes, como um mistério”, conclui o sacerdote.
Entre as ações sugeridas para o Dia do Nascituro, está a recitação da Oração do Nascituro. Por meio dela, os fiéis são convidados a interceder pelas vidas que estão em risco, buscando preservá-las de quaisquer ataques que possam sofrer. Confira, a seguir, a oração:
Oração do Nascituro
Nós vos louvamos, Senhor Deus da Vida.
Bendito sejais, porque nos criaste por amor.
Vossas mãos nos moldaram desde o ventre materno.
Nós vos agradecemos pelos nossos pais
e todas as pessoas que cuidam da vida
desde o seu início, até o fim.
Em Vós somos, vivemos e existimos.
Abençoai todos que zelam pela vida humana e a promovem.
Abençoai as gestantes e todos os profissionais da saúde.
Dai às pessoas e às famílias o pão de cada dia,
a luz da fé e do amor fraterno.
Nossa Senhora Aparecida,
intercedei por nossos nascituros,
nossas crianças, nossos jovens,
nossos adultos e nossos idosos,
para que tenham vida plena em Jesus,
que ofereceu sua vida em favor de todos.
Amém!




