Dia de Nossa Senhora do Rosário

Rosário é alimento sólido para a vivência da fé, afirma padre

No mês dedicado à oração do Rosário, conheça a história, o significado e as novas formas de propagação desta tradicional devoção católica

Julia Beck
Da Redação

Mulher segura um terço azul durante momento de oração.

Fiel reza o Rosário segurando um terço azul /Foto: Bruno Marques

Outubro é tradicionalmente dedicado pela Igreja à oração do Rosário, devoção mariana que atravessa séculos e permanece presente na espiritualidade católica. No centro deste mês está a memória de Nossa Senhora do Rosário, celebrada nesta quarta-feira, 7. A data recorda a importância dessa prática de oração na vida dos fiéis.

Marcado pela repetição de orações e pela contemplação dos principais acontecimentos da vida de Jesus Cristo, o Rosário também encontrou nas plataformas digitais uma nova forma de reunir fiéis e incentivar a oração.

Padre Marcio Prado / Foto: Canção Nova

Missionário da Comunidade Canção Nova, padre Márcio Prado explica que uma das razões para a permanência do Rosário na vida da Igreja está justamente em sua simplicidade e fundamentação bíblica. “A oração do Terço e do Rosário ocupa um lugar na espiritualidade católica porque tem fundamentação bíblica, é a oração do simples e ajuda a meditar os mistérios da nossa salvação”, afirma.

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Embora seja reconhecido como uma das principais expressões da devoção mariana, o sacerdote ressalta que o centro dessa oração é Jesus Cristo. “Tudo o que se diz de Maria, tudo o que se fala sobre Maria, é porque ela aponta para o Salvador Jesus Cristo. Os mistérios que são meditados ajudam a mergulhar no centro, que é Cristo.”

Uma devoção construída ao longo dos séculos

A forma do Rosário conhecida atualmente foi sendo desenvolvida gradualmente ao longo do segundo milênio. A tradição dominicana relaciona a propagação dessa devoção a São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores, no século XIII. Posteriormente, especialmente a partir do século XV, os dominicanos tiveram papel importante em sua difusão. Um dos nomes que se destacaram nesse processo foi o do dominicano Alano de la Roche (1428-1475), que promoveu a oração do Rosário e a formação de confrarias dedicadas à devoção. Com o passar dos séculos, a prática se consolidou na Igreja e recebeu grande incentivo dos pontífices.

A história da devoção também está ligada à Batalha de Lepanto. Em 7 de outubro de 1571, durante o confronto naval entre a Liga Santa e o Império Otomano, o Papa São Pio V convocou os cristãos à oração do Rosário. Após a vitória da Liga Santa, atribuída pelos cristãos à intercessão de Nossa Senhora, o Pontífice instituiu a festa de Nossa Senhora da Vitória. Posteriormente, a celebração passou a ser dedicada a Nossa Senhora do Rosário.

Já em 2002, um novo capítulo foi acrescentado à história dessa oração. São João Paulo II publicou a Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae e propôs os cinco mistérios luminosos, dedicados à contemplação de momentos da vida pública de Jesus. No documento, o Pontífice ressaltou que o Rosário, embora tenha características marianas, é uma oração essencialmente cristocêntrica.

É justamente essa contemplação da vida de Cristo que, segundo padre Márcio, aproxima a oração da experiência cotidiana de cada fiel: “Ao meditarmos os mistérios de Cristo, também meditamos os mistérios da vida humana, marcada pela dor, pela luz, pela alegria, pela ressurreição. Os mistérios que contemplamos no Santo Rosário são os mistérios que o povo de Deus pode enxergar na própria vida”.

Do ambiente digital para a vida

Se durante séculos a oração foi transmitida principalmente nas famílias, paróquias, comunidades religiosas e grupos de oração, atualmente as plataformas digitais também se tornaram espaço para a propagação do Rosário. Padre Márcio recorda que esse movimento ganhou força especialmente durante a pandemia da Covid-19, quando transmissões de momentos de oração ajudaram a manter os fiéis unidos mesmo à distância. Para ele, contudo, a experiência não deve permanecer somente nas telas.

“A oração, mesmo sendo acompanhada virtualmente, é um chamado a não ficar no virtual, mas ir para o contato e para a comunhão com as pessoas”, destaca. “Não parou nas telas, mas foi realmente para a vida.”

Fábio Xavier /Foto: Arquivo Pessoal

Um exemplo dessa presença da devoção no ambiente digital é o policial militar Fábio Xavier Barbosa, de 46 anos. Devoto do Rosário há 25 anos, ele mantém no YouTube o canal “Subindo a Montanha”, no qual aborda temas ligados à fé católica e, neste mês de outubro, dedica uma série especialmente à oração mariana.

Para Fábio, o ambiente digital pode ser utilizado justamente para ajudar outras pessoas a descobrirem uma prática que marcou sua própria caminhada de fé. Ele conta que começou a rezar o Rosário no período de sua conversão e, desde então, incorporou a oração à rotina. “O Rosário é fundamental para nossa perseverança. Eu entendo que ele é uma ferramenta de perseverança”, frisa.

A devoção também está ligada à história de sua família. Nesta quarta-feira, Fábio e a esposa completam 20 anos de casamento: os dois se casaram em 7 de outubro de 2006, justamente na memória de Nossa Senhora do Rosário.

Começar aos poucos

Ao mesmo tempo em que as redes sociais podem contribuir para a evangelização, Fábio reconhece que o excesso de estímulos e distrações também pode dificultar o recolhimento necessário à oração.  Por isso, seu conselho para quem deseja começar a rezar o Rosário é não desistir diante das primeiras dificuldades. Uma possibilidade, explica, é iniciar com uma dezena e distribuir as demais ao longo do dia, até adquirir o hábito de rezar o Terço. “Se a pessoa tem dificuldade no início, comece rezando uma dezena”, aconselha. Aos poucos, segundo ele, a oração passa a integrar naturalmente a rotina.

Para padre Márcio, a presença do Rosário nos novos meios mostra que a evangelização também pode ocupar os ambientes onde as pessoas estão. “A Igreja entrou e está presente nos ambientes digitais através das reflexões, das orações, das transmissões das Santas Missas, dos rosários, de tantas conferências. E o Rosário encontrou o seu lugar”, finaliza.

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