Audiência no Vaticano

Papa aos consagrados coreanos: “Preparem a JMJ com paixão”

Ao receber consagrados coreanos, Pontífice destacou legado dos mártires e preparação para a Jornada Mundial da Juventude de 2027

Da Redação, com Vatican News 

Papa Leão XIV recebe de sacerdote coreano símbolo da Jornada Mundial da Juventude Seul 2027.

Papa Leão XIV recebe símbolo da JMJ Seul 2027 /Foto: Vatican Media/ Catholic Press Photo/IPA/Sipa USA via Reuters

O Papa Leão XIV recebeu, nesta segunda-feira, 5, representantes da Vida Consagrada da Coreia que vivem em Roma. Na audiência, realizada na Sala Clementina, o Pontífice destacou o testemunho dos mártires coreanos e pediu aos sacerdotes, religiosos e religiosas que sejam promotores da reconciliação e da paz. Ao saudar em coreano o grupo de 170 consagrados, Leão XIV afirmou que eles “vêm de longe, é verdade, mas aqui estão em casa”, pois a fé recebida em sua terra natal encontra suas raízes junto às memórias dos apóstolos Pedro e Paulo e, em Roma, pode receber “novo ímpeto missionário”.

O Santo Padre também recordou a preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Seul, em 2027, e congratulou-se pelos 25 anos da inauguração da sede do Pontifício Colégio Coreano.

Guardiões da memória, testemunhas da esperança

Ao recordar a história da Igreja na Coreia do Sul, Leão XIV a apresentou a partir de duas palavras: “memória” e “esperança”. A primeira remete à forma singular como a fé cristã começou a se difundir no país, inicialmente por meio de textos cristãos; a segunda nasce de Cristo Ressuscitado.

O Pontífice também recordou o testemunho dos mártires em uma história marcada por perseguições, guerras, pobreza e divisões. Entre eles, citou o Venerável Tomás Choe Yang-Eop (1821–1861), segundo sacerdote da história coreana, conhecido como “mártir do suor” pelo intenso trabalho de evangelização realizado durante 11 anos, até consumir a própria vida no serviço.

Segundo o Papa, iluminados pelo Evangelho, os mártires são exemplos de “fortaleza cristã” e mostram que o testemunho da fé passa pela entrega cotidiana da própria vida. “Nosso tempo precisa exatamente disso: de homens e mulheres que tenham a coragem de fazer o bem, mesmo quando isso custa. Aproximem-se daqueles que estão sozinhos, apoiem quem está cansado, procurem quem se afastou. Tenham a coragem de perdoar, de recomeçar, de dialogar. O bem nem sempre é reconhecido e muitas vezes exige esforço, mas é essa coragem cotidiana da caridade que torna credível o nosso anúncio do Evangelho.”

Artífices da paz e da reconciliação

Leão XIV ressaltou que a força para viver dessa forma nasce da amizade com Jesus Cristo, que “abre à fraternidade”. Por isso, incentivou os consagrados a alimentarem essa relação na Eucaristia, na escuta da Palavra, na oração e no silêncio diante do Senhor.

O Papa também destacou a importância da sinodalidade e da comunhão entre pessoas de diferentes dioceses, institutos e congregações. Diante da realidade da Península Coreana, que ainda carrega “a dolorosa ferida da divisão”, pediu aos presentes que sejam homens e mulheres de reconciliação.

“Peço-lhes que sejam sempre homens e mulheres da reconciliação. A paz começa no coração e nas relações cotidianas, quando ouvimos em vez de julgar, perdoamos em vez de guardar rancor, escolhemos a comunhão em vez do confronto. Sejam unidos e sejam artífices da paz.”

O Pontífice encorajou ainda a oração e o empenho para que sejam abertos novos caminhos de encontro e para que “o Evangelho da paz possa ser anunciado livremente em todas as partes da Península Coreana e do mundo”.

JMJ de Seul: encontro entre memória e futuro

Ao falar sobre a Jornada Mundial da Juventude de Seul, que será realizada de 3 a 8 de agosto de 2027, Leão XIV afirmou que o encontro tornará visível esse testemunho de fé. Jovens de diversas partes do mundo irão a uma terra onde, recordou, o Evangelho cresceu por meio do testemunho dos mártires. A edição de Seul será a primeira JMJ realizada em um país no qual os cristãos são minoria e a segunda promovida na Ásia, depois de Manila, nas Filipinas, em 1995.

Para o Papa, a Jornada deverá ser “um grande encontro entre a memória e o futuro”, no qual os mártires transmitem a fé às novas gerações e os jovens a recebem para levá-la “pelas estradas do mundo”. “Ouçam os jovens, caminhem com eles e ajudem-nos a descobrir que seguir a Cristo não diminui a liberdade, mas a torna plena; que a fé não restringe a vida, mas abre para ela um horizonte mais amplo.”

Por fim, Leão XIV incentivou os consagrados a prepararem a JMJ “com paixão”, tendo presentes as palavras de Jesus: “Tenham coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,33). Segundo o Pontífice, os mártires coreanos compreenderam que sua esperança não dependia de circunstâncias favoráveis, “mas da certeza de que Cristo já havia vencido”.

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