Combates ocorridos desde a semana passada em Tigré e nas regiões vizinhas de Amhara e Afar destruíram um acordo de paz de quatro anos — o Acordo de Pretória
Da redação, com Vatican News

Um comboio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na Etiópia evacua pessoas de Mekelle, na região de Tigré / Foto: Reuters
Ao final da Audiência Geral desta quarta-feira, 30, o Papa Leão XIV fez um apelo a todas as partes na região de Tigré para que cessassem as hostilidades, recordando que apenas um compromisso sincero pode lançar as bases para uma paz duradoura.
O Santo Padre acompanha “com profunda preocupação” a situação em Tigré, região da Etiópia, e nas áreas vizinhas de Afar e Amhara, “onde as hostilidades recomeçaram”. Ao final da Audiência Geral, antes de saudar os fiéis italianos, o Sucessor de Pedro dirigiu este apelo às partes envolvidas no conflito:
“Dirijo um apelo sincero a todas as partes para que escolham o caminho do diálogo. O conflito armado nunca resolve problemas, mas apenas os agrava, deixando atrás de si um rastro de morte, destruição e ressentimento. Somente um empenho sincero pode lançar as bases para uma paz duradoura.”
A “esperança fervorosa” do Pontífice é que a comunidade internacional “ofereça a sua contribuição generosa e oportuna para garantir que toda a ajuda humanitária chegue aos necessitados”.
A situação atual no Tigré
A situação no Tigré tornou-se cada vez mais tensa. Nas últimas horas, a Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) — a principal força política da região, que combateu o governo federal durante a Guerra do Tigré (2020–2022) — e as Forças de Defesa do Tigré (TDF) — as forças militares tigrinas que lutaram contra o exército etíope durante o mesmo conflito — intensificaram os confrontos com as forças militares da Etiópia.
Foram relatados numerosos confrontos ao longo do rio Tekeze, a oeste do Tigré, na área de Wolkayt, na fronteira com a região de Afar e em várias partes de Amhara.

Vídeo feito por testemunha ocular registra um comboio passando pela cidade de Alamata, no sul de Tigré / Foto: Reprodução Reuters
Expansão dos combates
O número de mortos ainda não foi verificado de forma independente. Segundo o exército etíope, cerca de 700 combatentes tigrínios teriam sido mortos em um período de dois dias.
A organização Médicos Sem Fronteiras informou que, entre 22 e 25 de setembro, mais de 400 feridos deram entrada em hospitais de Korem e Alamata, enquanto outros 300 foram internados em hospitais de Suhul e Shire, no noroeste do Tigré. Nas áreas mais afetadas pelo conflito, a entrega de ajuda humanitária também continua difícil: muitas estradas foram bloqueadas, enquanto no norte as conexões de internet e telefone foram totalmente interrompidas, impossibilitando que os agentes humanitários coordenem seus esforços.
Politicamente, o governo etíope acusa a vizinha Eritreia de apoiar a TPLF e outras forças de oposição, ao passo que o governo eritreu nega veementemente qualquer envolvimento na escalada da violência.
Enquanto isso, a União Europeia descreveu mais uma vez a situação como de rápida deterioração, tanto política quanto militarmente, anunciando medidas diplomáticas e humanitárias imediatas na tentativa de deter a retomada do conflito, que ameaça incendiar toda a região.




