Por ocasião da visita do Papa a Metz, conheça o Venerável Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia, que trabalhou incansavelmente pela paz

O venerável Robert Schuman / Foto: ©European Union
Da redação, com Vatican News
Durante sua Viagem Apostólica à França, de 25 a 28 de setembro, o Papa Leão XIV visita a cidade de Metz, no nordeste do país — uma localidade fronteiriça próxima à Bélgica, a Luxemburgo e à Alemanha, e terra natal de Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia e Venerável da Igreja.
“É uma visita de um Robert a outro Robert”, disse Jean Pirnay, franciscano secular e membro do *Institut St. Benoît*, uma organização da Diocese de Metz que promove a causa de beatificação de Schuman.
Em declaração ao Vatican News, ele observou: “Não são apenas os nomes que são semelhantes; eles têm muitas coisas em comum: o respeito por cada ser humano, o desejo de conduzir as pessoas a Cristo sem forçá-las, além da humildade e da atenção aos pobres”.
Em 1950, com a Europa ainda sofrendo as consequências da Segunda Guerra Mundial, Schuman — então Ministro das Relações Exteriores da França — apresentou a Declaração Schuman, que propunha a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Os Estados-membros uniriam a produção dessas indústrias para que nenhuma nação pudesse fabricar armas contra outra.
Seis nações aderiram — França, Alemanha Ocidental, Itália, Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo — e essa comunidade evoluiu, mais tarde, para a União Europeia que existe hoje.
Em uma Europa ainda ferida, que tentava se reconstruir após a destruição e o derramamento de sangue da Segunda Guerra Mundial, Schuman e outros pensadores europeus tiveram a ousadia de almejar a paz no continente e de tentar concretizá-la.
Para os membros do Institut St. Benoît, a trajetória política de Schuman não pode ser compreendida sem levar em conta sua fé, seu amor pela Igreja e sua profunda convicção na Doutrina Social da Igreja. Ele foi declarado Venerável em junho de 2021.
A atuação de Schuman como cristão na vida pública e política também serve de testemunho para os dias de hoje, especialmente em um mundo que novamente enfrenta aquilo que o Papa Francisco costumava chamar de “terceira guerra mundial travada em pedaços”.
“Schuman não era um homem de palavras; era um homem de ações, de decisões, de implementação de pequenos passos para avançar”, afirmou Emmanuel Crampon, Secretário-Geral do Institut St. Benoît.
“Com Schuman, vemos cristãos agindo e construindo caminhos novos e inovadores para a paz.”
Um homem das fronteiras que via além delas
A abertura de Schuman para o outro também deriva do fato de ter crescido entre culturas diferentes. Ele nasceu em uma família católica, em 1886, no Luxemburgo — país de origem de sua mãe. Seu pai era da Lorena, região que hoje pertence à França, mas que havia pertencido à Alemanha; assim, Schuman herdou a cidadania alemã do pai.
Schuman “é um homem das fronteiras”, explicou Crampon. “Desde jovem, ele vivenciou o que significava compartilhar culturas diferentes.”
Ele prosseguiu seus estudos no Luxemburgo, na Alemanha e na França. Após a Primeira Guerra Mundial, estabeleceu-se em Metz — uma vez que a Lorena passou a integrar a França — e obteve a cidadania francesa.
“Desde o início, Robert Schuman aprendeu, com os pais e com sua formação, que era possível ser um homem de reconciliação e de múltiplas identidades nacionais. Ele conseguia ver além das fronteiras, perceber que existem caminhos para se chegar a um consenso”, enfatizou Crampon.
Pirnay observou que, em seu livro de 1960, *Por uma Europa*, Schuman escreveu que “servir à humanidade é um dever, tal como aquele que nos é ditado pela nossa lealdade à nação”.
“Ele é um homem que transcende fronteiras”, ressaltou Pirnay. “Ele enxerga países e nações, mas sob a perspectiva do Reino dos Céus; a existência e o funcionamento deles devem servir aos princípios evangélicos estabelecidos no Sermão da Montanha” — isto é, amar o próximo e respeitar a dignidade de todos.
Moldado pela Doutrina Social da Igreja e por São Tomás de Aquino
Seus estudos na juventude também influenciaram sua trajetória política. Ele se envolveu em atividades da Igreja voltadas para os jovens, ingressou na associação estudantil católica *Unitas*, aprofundou-se na Doutrina Social da Igreja — especialmente na encíclica *Rerum Novarum*, de 1891, do Papa Leão XIII — e ampliou seus conhecimentos sobre São Tomás de Aquino.
Schuman “reconhecia que a fé não é apenas algo intelectual ou restrito ao coração. Ela também constituía uma doutrina social com impacto na vida política e social”, destacou Pirnay.
“O bem comum, o respeito por cada pessoa, a dignidade infinita de todo ser humano, a solidariedade e a subsidiariedade… Tudo isso ele aprendeu e, posteriormente, aplicou ao longo de toda a sua carreira.”
Esses princípios também moldaram a maneira como ele lidava com divergências políticas. Ele “ouvia as pessoas com atenção, mesmo quando discordava delas, inclusive durante as tensões do pós-guerra. Ele buscava a verdade e tentava encontrar um compromisso, um meio-termo”, afirmou Crampon.
“Isso era, de fato, um ponto forte dele ao debater ou exercer a liderança, mesmo ao interagir com outros embaixadores ou representantes de outros países.”
“A caridade política — servir ao bem comum — era realmente o objetivo principal de Schuman. Foi, de fato, uma vocação para ele após concluir seus estudos”, observou.




