Ao reunir-se com os bispos em Lourdes, o Papa reafirmou a voz da Igreja na sociedade francesa e os incentiva a apoiar a vida espiritual das famílias
Da redação, com Vatican News

Leão XIV participou de um encontro com bispos da Conferência Episcopal Francesa no auditório Santa Bernadette, no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes / Foto: Simone Risoluti – Vatican Media Handout via Reuters
O primeiro compromisso do Papa Leão XIV este domingo, 27, foi com os membros da Conferência Episcopal Francesa. O encontro foi no local onde os bispos tradicionalmente se reúnem para suas Assembleias plenárias, próximo à Gruta das Aparições, em Lourdes. Esta escolha, disse o Pontífice, manifesta claramente o desejo de colocar a Igreja na França sob a proteção da Mãe de Deus. Na verdade, acresentou, “não há melhor caminho para chegar a Jesus do que através de Maria. Tudo nela nos conduz ao seu Filho”.
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Viagem Apostólica do Papa Leão XIV à França
Em seu discurso, o Santo Padre fez um verdadeiro “raio-x espiritual” da Igreja local, com seus problemas e potencialidades.
“Queridos irmãos, perante os imensos desafios do nosso tempo, exorto-os à coragem, à audácia e à criatividade missionária. Não se deixem desanimar pelos erros, pelas incoerências e nem sequer pelas quedas que marcaram a história deste Povo a caminho. Tenham sempre a coragem de reconhecer os erros com o amor à Verdade, e a determinação de tratar das feridas com a caridade do Bom Pastor. Levantem-se, pois, com esperança e nunca se cansem de anunciar o Evangelho!”
O Pontífice ressaltou a contribuição da Igreja francesa para a história do país, sendo parte integrante da sua cultura e da sua identidade. Por isso, afirmou, a sua voz tem todo o direito de estar presente no debate público da França, como, por exemplo, durante os recentes debates sobre o final de vida. Outro contributo é sobre o tema da paz, sobretudo quando se constata “uma polarização inquietante, um declínio da fraternidade, da cordialidade e da qualidade da vida social, bem como um recrudescimento da violência, das desigualdades e da pobreza” não só em território francês, mas em todo o Ocidente.
Leão XIV pediu uma atenção especial aos jovens, à educação e às famílias. Mas um tema relevante do seu pronunciamento foi sobre os abusos:
“Nos últimos anos, enfrentastaram com determinação o doloroso flagelo dos abusos contra menores cometidos por membros do clero ou no contexto eclesial. Adotaram medidas corajosas para os combater, através da escuta, da busca da verdade, da justiça, do perdão, da reparação e de um compromisso firme em prol de uma cultura de prevenção e proteção contra estes crimes. Agradeço-lhes pelo que fizeram, consciente que alguns momentos foram muito difíceis para esta Conferência. É necessário prosseguir no caminho iniciado e manter a máxima vigilância.”O Santo Padre fez ainda uma menção ao “triste declínio” das vocações para a vida consagrada, em particular para a vida contemplativa: “Com dor, tomei conhecimento do encerramento, recente ou iminente, de antigas e prestigiadas comunidades monásticas, que tiveram grande influência na história”. Para Leão, no enraizamento da fé no seio das famílias está a chave que permitirá resolver muitas crises que a Igreja e as sociedades estão atravessando. Talvez seja este o principal desafio a enfrentar, disse ele: “Que Jesus viva plenamente nas famílias católicas da França e as ilumine com a sua presença!”
Por fim, o Papa fez uma exortação à unidade: “A Igreja na França é um pequeno rebanho que deve unir as suas forças para a missão. As divisões ideológicas tornariam o seu testemunho vão”. Leão XIV recordou que sempre houve tensões na história da Igreja, e é precisamente quando estas se manifestam que se pode apreciar ainda mais o dom da unidade.
“Queridos irmãos, a Igreja na França está no coração do Papa. Como gostaria de lhes transmitir os sentimentos de entusiasmo e esperança que me animam quando penso em vocês!”
O Pontífice concluiu confiando os bispos e todo o país à proteção maternal de Nossa Senhora de Lourdes e concedendo a sua Bênção Apostólica.




