CUIDADO COM A CRIAÇÃO

"Ainda não é tarde demais", afirma Leão XIV sobre a conversão ecológica

A missa por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação foi celebrada nos jardins pontifícios de Castel Gandolfo

Da redação, com Vatican News

O Papa Leão XIV fala durante uma missa que marca o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, no Borgo Laudato si’, em Castel Gandolfo / Foto: Guglielmo Mangiapane – Reuters

Em meio à natureza dos jardins pontifícios de Castel Gandolfo, Leão XIV presidiu na tarde desta terça-feira, 1º, à Santa Missa por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, que chega à sua 11ª edição.

O dia 1º de setembro marca também, todos os anos, o início do Tempo da Criação — caminho ecumênico de oração e comprometimento com o cuidado da Casa Comum, que se encerra em 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, de quem celebramos os 800 anos de falecimento. Trata-se de um período em que a Igreja, juntamente com as outras comunidades cristãs, é convidada a renovar seu compromisso com a Criação, deixando-se guiar pela oração, pela conversão e por gestos concretos de cuidado.

Colocar em “modo silencioso” as obras humanas para ouvir a voz da criação

Em sua homilia, o Pontífice comentou as leituras escolhidas especialmente para este Dia, em que nos são dirigidos dois convites à contemplação das obras do Senhor. O Livro da Sabedoria exorta a contemplar a beleza e o poder da criação para que possamos apreciar o seu Artífice (cf. Sb 13, 1-9). O Salmo 18 incentiva a erguer o olhar para contemplar os céus que proclamam a glória de Deus e o firmamento que anuncia a obra de suas mãos. “Toda a criação fala-nos da grandeza do Criador”, recorda o Santo Padre, desde que o olhar e o coração estejam abertos a tão grande mistério. Também o texto evangélico de Mateus (cf. Mt 6, 24-34) convida à contemplação da criação, sublinhando o amor especial do Senhor pelo ser humano.

Inspirado nesses textos sagrados, a exortação do Papa é para reservar alguns minutos de pausa na agitação das atividades quotidianas para saborear a grande harmonia da qual fazemos parte.

“Coloquemos em “modo silencioso” todos os ruídos das obras humanas para ouvir a voz melodiosa da criação, na qual Deus, Autor de todas as coisas, nos fala.”

Ainda não é tarde demais!

Para o Santo Padre, este exercício contemplativo constitui um primeiro passo para uma autêntica conversão ecológica, onde os efeitos do nosso encontro com Jesus Cristo se tornam evidentes na nossa relação com o mundo que nos rodeia.

“Da contemplação da criação e do encontro com o Criador nasce a consciência do nosso lugar especial no maravilhoso plano de Deus e da nossa responsabilidade pessoal e coletiva no cuidado da harmonia original. Assim, da tomada de consciência das nossas falhas e erros, nasce um esforço renovado para restaurar as relações entre as criaturas segundo a vontade do seu Autor”, afirmou Leão XIV.

Citando sua Mensagem para este Dia, o Papa retomou o apelo profético a “transformar as espadas em relhas de arados” (Is 2, 4), a transformar o mal em vida.

“Ainda não é tarde demais, e o Tempo da Criação convida-nos a uma profunda conversão: o que tem sido utilizado para a destruição pode ser redirecionado para a vida, para o cuidado dos pobres, para a alimentação dos famintos e para a salvaguarda da criação.”

Leão XIV encerrou sua homilia recordando seu predecessor, Papa Francisco, que por sua vez se inspirou no Pobrezinho de Assis para para escrever a sua Carta Encíclica Laudato si’. “Com São Francisco, queremos renovar o nosso compromisso de viver e promover aquela fraternidade universal que está inseparavelmente ligada ao dever de cuidar da criação.” E recitou um trecho do Cântico de louvor de São Francisco:

“Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão Sol, […]Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Lua e pelas estrelas, […]Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento […].Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água […].Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo […].Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe Terra,que nos sustenta e governa.”

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