Uso ético

Papa exorta à humanização das tecnologias digitais

Leão XIV recebeu cerca de 500 pesquisadores do Instituto Internacional de Ciências Administrativas, que participaram de conferência em Roma sobre IA

Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV usando batina branca e solidéu, durante compromisso em Castel Gandolfo.

Papa Leão XIV /Foto: IMAGO/Catholicpressphoto via Reuters

Uma nova ênfase sobre a importância da humanização da tecnologia, garantindo a preservação da magnífica humanidade em tempos de um progresso tão acelerado da inteligência artificial. O Papa Leão XIV voltou a tocar neste tema nesta sexta-feira, 28, ao receber no Vaticano um grupo de cerca de 500 pesquisadores do Instituto Internacional de Ciências Administrativas (IIAS).

O Instituto tem sede em Bruxelas, na Bélgica, e realizou sua conferência anual em Roma, ao término da qual seus membros se encontraram com o Papa. A organização promove eventos de alto impacto focados em estudos e reformas da administração pública. Nesta edição, a conferência trouxe o tema da Inteligência Artificial e o uso equilibrado das tecnologias digitais.

Leão XIV encorajou os participantes a continuar refletindo sobre o equilíbrio no uso das tecnologias digitais, sobretudo pela velocidade no progresso das ferramentas. Não se trata de barrar a evolução, mas orientar seu uso com ética. “É preciso garantir que o bem da família não seja sacrificado por interesses privados” e que as tecnologias digitais sejam humanizadas para servir à paz.

A magnífica humanidade

Essa é uma temática abordada, inclusive, pelo próprio Papa em sua recente encíclica Magnifica humanitas, sobre a salvaguarda da pessoa humana nesta era. Trata-se de uma realidade que afeta a vida diária de todos, também progride com muita velocidade, levando a se questionar “se, no futuro, será possível controlar essas máquinas, se o ser humano não corre o risco de se tornar vítima das próprias invenções”.

A situação é preocupante, observou o Papa, pois um dos graves problemas atuais é constatar que as decisões relativas à vida humana estão a cargo das máquinas. Um encontro de aprofundamento, como o do Instituto Internacional, disse Leão XIV, pode ajudar “as autoridades a tomar decisões nessa área para o bem da humanidade”.

O Pontífice destacou que apelar à prudência, a auditorias rigorosas e, por vezes, a um abrandamento na adoção da IA, “não significa ser contra o progresso, mas sim exercer a salvaguarda responsável da família humana”.

Acompanhar a expansão da tecnologia

O próprio Papa Francisco, recordou Leão XIV, alertava para a “imensa expansão da tecnologia” que deveria ser acompanhada por adequada formação da responsabilidade, orientando a pesquisa técnico-científica, pela “paz e o bem comum a serviço do desenvolvimento integral do homem e da comunidade”.

“É importante definir uma ética que acompanhe o uso dessas importantes ferramentas, que, infelizmente, se concentram nas mãos dos grandes atores econômicos e tecnológicos, e que o Estado tem dificuldade em controlar. É preciso garantir que o bem da família humana não seja sacrificado por interesses privados. Encorajo-os a prosseguir suas pesquisas para encontrar formas e meios de contribuir com a administração pública para a humanização das tecnologias digitais, de modo que sejam a serviço da vida e da paz.”

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