ARQUITETURA SOLIDÁRIA

Santa Sé: planejamento urbano deve promover a dignidade humana

A Missão de Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas destaca a importância de enfrentar a situação de rua para construir cidades sustentáveis

Da redação, com Vatican News

Cidades sustentáveis que pensem nos moradores de rua precisam contribuem para o bem comum, afirmou o Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas / Foto: Ev por Unsplash

A questão da falta de moradia precisa ser enfrentada para criar cidades sustentáveis ​​que permitam a todas as pessoas prosperar e que contribuam para o bem comum, afirmou a Missão de Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas em uma mensagem divulgada nesta terça-feira, 28.

“A persistência da falta de moradia deve inquietar a consciência da comunidade internacional”, destacou o comunicado.

“Todos merecem um lugar para chamar de lar, onde possam construir relacionamentos, cultivar a vida familiar e participar plenamente de sua comunidade. Portanto, a habitação deve ser vista não apenas como uma mercadoria ou um ativo financeiro, mas como um pilar da sociedade a serviço do bem comum.”

A mensagem foi emitida por ocasião da Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas de 2026 sobre a Nova Agenda Urbana, realizada em Nova York para celebrar o 10º aniversário da adoção desse texto. O documento representa uma visão compartilhada de um futuro sustentável, com foco em uma urbanização bem planejada e bem gerida.

“Quando as cidades são moldadas pela solidariedade, pela inclusão e pelo cuidado com os mais necessitados, elas se tornam mais do que meros locais de residência e trabalho; tornam-se lugares de encontro, fraternidade e esperança”, prosseguiu a mensagem.

A situação de rua compromete o exercício de direitos fundamentais

A Missão de Observador Permanente da Santa Sé citou a encíclica *Magnifica Humanitas* do Papa Leão XIV — sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial — para ressaltar como “o desenvolvimento é verdadeiramente humano quando coloca as pessoas no centro”.

A delegação enfatizou que “esse princípio deve nortear a implementação da Nova Agenda Urbana na próxima década”.

A Missão de Observador Permanente apontou, então, a situação de rua como uma importante “ofensa à dignidade humana” no contexto do desenvolvimento urbano.

“Não ter um lar significa mais do que apenas a falta de abrigo; significa ser privado de segurança, estabilidade, privacidade e de um senso de pertencimento”, explicou a declaração. “A situação de rua compromete a capacidade de exercer muitos direitos humanos fundamentais e, frequentemente, aprisiona indivíduos e famílias em ciclos de exclusão e pobreza.”

Enfrentar as causas profundas da situação de rua

Assim, a delegação da Santa Sé incentivou cidades e países a investirem mais “em habitação acessível e adequada, bem como em serviços sociais integrados”, e a enfrentarem as causas profundas da situação de rua, tais como “pobreza, desemprego, dependência química, problemas de saúde mental, desestruturação familiar, deslocamento forçado e conflitos”.

Isso deve ser feito por meio da “participação significativa das comunidades locais, da sociedade civil, de organizações religiosas” e das próprias pessoas que vivenciaram a situação de rua.

A Missão também destacou a importância de promover políticas habitacionais que adotem uma abordagem integrada, levando em consideração os “fortes vínculos entre educação, emprego, habitação e saúde”. “Isso também ajudará a prevenir a exclusão e a segregação”, apontou a mensagem.

A Missão de Observador Permanente insistiu ainda na importância de uma “solidariedade internacional renovada” por meio da cooperação internacional, transferência de tecnologia, capacitação e financiamento adequado, especialmente para ajudar os países menos desenvolvidos que enfrentam os desafios de uma rápida urbanização.

O desenvolvimento urbano não pode ser medido apenas pela altura de seus edifícios

Por fim, a delegação da Santa Sé observou que “o desenvolvimento urbano não pode ser medido apenas pela altura de seus edifícios ou pela força de sua economia, mas, sobretudo, por sua capacidade de permitir que cada pessoa floresça ao participar plenamente da sociedade e contribuir para o bem comum”, visto que toda cidade é uma comunidade de pessoas, cada uma dotada de sua dignidade concedida por Deus.

“Portanto, a verdadeira medida de uma cidade sustentável reside na forma como ela trata todos os seus membros e, consequentemente, em sua capacidade de enfrentar múltiplas formas de pobreza, desigualdades persistentes e a degradação ambiental”, ressaltou a declaração.

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