No Angelus deste domingo, 28, Leão XIV afirmou que amar exige desapego, perda e acolhimento; amor também implica perda, frisou o Pontífice
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV conduz a oração do Angelus da janela do Palácio Apostólico, no Vaticano /Foto: Vatican Media/Matteo Pernaselci via REUTERS
O Evangelho deste 13º Domingo do Tempo Comum, em que Jesus faz exortações para que a humanidade viva como testemunha do Reino de Deus, esteve no centro da reflexão do Papa Leão XIV neste domingo, 28. Antes da oração do Angelus, o Pontífice convidou os fiéis a se dedicarem inteiramente a uma relação de amor com Deus. Para que esse amor produza frutos, explicou o Santo Padre, são necessárias três atitudes: desapego, perda e acolhimento.
Ao falar sobre o desapego, Leão XIV recordou que, ao enviar os Apóstolos em missão, Jesus deseja que eles estejam livres de qualquer vínculo, pois até os afetos mais importantes encontram sua plenitude no amor oferecido por Cristo. O Papa destacou ainda uma reflexão de Santo Agostinho: “É doloroso separar-se do que se ama. Mas também o agricultor perde temporariamente o que semeia”.
Amar também é perder
Nesse sentido, o amor também implica perda. Segundo o Pontífice, essa realidade é difícil de compreender, “especialmente num mundo em que perder parece ser uma fraqueza e em que se vive obcecado por ter e possuir. O amor, porém, só produz fruto ao doar-se”. Ou seja, quando a pessoa está disposta a renunciar a um pouco de si para dar espaço ao outro. Como recorda o Evangelho, quem conserva a própria vida apenas para si, na realidade, acaba por perdê-la, pois ela não se abre à alegria do amor e torna-se estéril.
“Por isso, Jesus convida-nos a abraçar a Cruz: Ele ofereceu-se, perdeu-se a si mesmo e, precisamente assim, pudemos receber a sua vida em abundância. Da mesma forma, se vivermos segundo a lógica do dom, também nós seremos capazes de gerar vida nova nas nossas relações.”
Por fim, Leão XIV refletiu sobre o acolhimento. O amor, explicou, manifesta-se em escolhas e ações concretas, traduzidas em pequenos gestos do cotidiano. Ao enviar os discípulos em missão, Jesus pede que partam sem provisões, para que despertem o acolhimento daqueles que encontrarem pelo caminho. Assim, quem acolhe aqueles que vêm em nome de Cristo acolhe o próprio Jesus e o Pai que o enviou. “O amor ao Senhor passa sempre pelo acolhimento dos irmãos”, recordou.
Ao concluir a reflexão, o Papa confiou os fiéis à intercessão da Virgem Maria, que amou o Filho mesmo sabendo que também precisaria perdê-Lo. “Que Ela nos ajude a ser testemunhas humildes e alegres do amor de Cristo”, pediu.




