TERCEIRA SESSÃO

Consistório: o Evangelho é o antídoto contra o individualismo

Durante a terceira sessão do Consistório Extraordinário, os cardeais refletiram sobre a missão da Igreja de promover o bem e edificar a sociedade

Da redação, com Vatican News

Bispos e o Papa Leão XIV reunidos para o Consistório Extraordinário na Sala Paulo VI, em Roma / Foto: Vatican Media – IPA-SIPA USA via Reuters Connect

Após a Santa Missa celebrada pelo cardeal Giovanni Battistal Re, às 9h30, os cardeais se reuniram na Sala Paulo VI para a terceira sessão do Consistório, moderada pelo cardeal tanzaniano Protase Rugambwa. O Papa Leão XIV conduziu a oração do Adsumus e, em seu nome, o cardeal moderador agradeceu ao Colégio pelas palavras de apoio aos seus apelos pela paz e exortou a torná-los ainda mais eficazes, assumindo-os nas dioceses e regiões de origem, para que se levante um apelo unânime que dê ainda mais força a esse compromisso comum.

Em seguida, o cardeal sul-africano Stephen Brislin tomou a palavra para apresentar seu relatório introdutório sobre o tema “Construir para o bem: as obras de nosso tempo”.

Após um momento de oração e silêncio, o Cardeal Rugambwa deu início aos trabalhos em grupo e marcou o retorno à sessão plenária, após o intervalo, para as 11h30. O Papa, presente no início da sessão, retornou antes das apresentações dos grupos.

Onze grupos apresentaram seus relatórios na sala de sessões: os oito do primeiro grupo e os três do segundo.

Grande parte dos grupos centrou sua reflexão em uma análise das profundas fraturas de nosso tempo, entre os povos, as nações, no seio das sociedades e das próprias famílias, e em como elas geram feridas, especialmente entre os mais pobres, os mais fracos, os jovens — aos quais falta o senso de novidade — e os adultos que carecem da sabedoria que vem com a idade. Muitos dos relatos destacavam o perigo da falta de sentido e de relações significativas, de identidade, que levam a uma atitude tribal. Todos enfatizavam o papel de um individualismo exagerado que gera a ilusão de que os outros existem para o nosso sucesso.

Nesse contexto, insere-se o desafio da inteligência artificial, como uma dimensão antropológica sobre a qual devemos refletir, identificando valores humanos compartilhados, a partir do chamado para dar um nome aos seres vivos — e não reduzi-los a números e estatísticas —, para experimentar e aceitar o sentido humano do limite, que a IA tende a negar, e para defender a dignidade do trabalho.

Nesse contexto, muitos grupos falaram sobre o valor do bem comum, como algo difícil de abraçar e compreender, que, muitas vezes, a política não busca, e sobre como é necessária uma linguagem do coração para superar o conformismo, a corrupção e a sensação de impossibilidade gerada pela constatação de que as propriedades e os recursos para alcançá-lo estão nas mãos de poucos. O sentido do bem comum tem origem na fé, afirmaram numerosos grupos, na fé em Deus e no transcendente que existe em cada pessoa, que leva o homem a superar todas as fronteiras, a primeira das quais o leva além de si mesmo, a viver a solidariedade com os pobres, como resposta ao individualismo, vivendo plenamente a catolicidade, construindo relações gratuitas — e não instituições —, em todos os níveis, e buscando uma linguagem capaz de dialogar com ambientes alheios à fé cristã. Nesse sentido, é essencial o papel da política e o empenho das instituições eclesiais na formação dos futuros servidores públicos, para que a doutrina social da Igreja seja conhecida e estudada como remédio para as divisões.

O antídoto contra o individualismo e as fraturas, como muitos grupos concordaram, é o Evangelho, uma Igreja que transmita um senso de pertencimento, capaz de aliviar as feridas do nosso tempo, renovada para evitar formas de integralismo e polarização, que torne visível seu rosto samaritano; cristãos que não sejam meros espectadores de uma ruína social, mas arquitetos sábios que reconstruam a cidade de todos. Nesse contexto, é um sinal de esperança o reconhecimento de que enfrentamos os mesmos desafios, em muitos âmbitos e em muitas partes do mundo, e de como a comunhão com Cristo nos torna menos preocupados com o que os outros pensam.

Vários grupos, nesse sentido, destacaram o valor da sinodalidade, como caminho de escuta e diálogo, e também de responsabilidade eclesial.

Ao final das exposições, foi dado espaço para as intervenções de alguns cardeais, nas quais os temas da sessão foram retomados em termos mais pessoais. Outros manifestaram gratidão ao Papa por suas recentes viagens apostólicas e por seu empenho em prol da paz.

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