Leão XIV retomou nesta quarta-feira, 24, o ciclo dedicado aos documentos do Concílio Vaticano II, destacando o mistério eucarístico na Constituição Sacrosanctum Concilium
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV saúda os fiéis durante Audiência Geral no Vaticano /Foto: REUTERS/Yara Nardi
Milhares de fiéis se reuniram na Praça São Pedro nesta quarta-feira, 24, para a última Audiência Geral antes da pausa de verão no Vaticano. Como é tradição, durante o mês de julho as audiências gerais são suspensas, permanecendo apenas a oração do Angelus aos domingos como compromisso público regular do Papa.
Dando continuidade ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, Leão XIV refletiu sobre a Constituição Sacrosanctum Concilium (SC), dedicada à liturgia, destacando a influência do pensamento de Santo Agostinho em sua elaboração.
“Para os cristãos, participar na Ceia do Senhor significa, de fato, ‘ser instruídos pela Palavra de Deus; alimentar-se à mesa do Corpo do Senhor; dar graças a Deus’. É ao recebê-Lo na Sua Palavra e na Eucaristia que nos tornamos aquilo que recebemos. Tornamo-nos o Corpo cuja Cabeça é o Cristo ressuscitado, sentado à direita do Pai, que nos prepara um lugar nos céus”, afirmou.
A Eucaristia como oblação
O Pontífice explicou que a Eucaristia é “o sacramento do Reino que vem” e “o pão do caminho que conduz à Pátria celeste”. “A Eucaristia é a forma do sacrifício espiritual dos cristãos, na medida em que é o caminho da união com Deus e da união recíproca. Ao participarem dela, aprendem a oferecer-se a si mesmos, adotando o estilo de vida do próprio Senhor Jesus, marcado pela doação gratuita”, disse.
Segundo o Papa, essa entrega introduz os fiéis na dinâmica da unidade, oferecendo um poderoso antídoto contra os fermentos de divisão que afetam o mundo, as comunidades, as famílias e o coração humano.
Leão XIV recordou ainda que, ao participar da Missa, cada fiel é chamado a escutar a Palavra de Deus e a alimentar-se da mesa do Senhor. Por isso, a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística estão tão estreitamente unidas que constituem um único ato de culto.
Lecionário, fruto da reforma litúrgica
Ao abordar a Liturgia da Palavra, o Papa ressaltou que não se trata apenas de adquirir um conhecimento intelectual das Escrituras, mas de acolher a Palavra “viva e eficaz”, dirigida por Deus a todos e a cada pessoa em particular. Juntamente com o Pão eucarístico, ela sustenta a vida cristã e conduz os fiéis da condição de pecado à vida nova em Cristo.
Leão XIV recordou que o Concílio Vaticano II desejou proporcionar aos católicos um acesso mais amplo aos “tesouros da Bíblia”. Nesse contexto surgiu o Lecionário, fruto da reforma litúrgica, que reúne as leituras bíblicas para as celebrações, conciliando “fidelidade à tradição” e “abertura a um legítimo progresso”.
“Queridos irmãos e irmãs, bebamos com fé desta fonte de vida divina e deixemo-nos transformar pelo mistério que celebramos”, concluiu o Papa.




