DOCUMENTO 114

CNBB lança novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no país

Fruto de processo de escuta e discernimento que levou três anos para ser concluído, documento foi oficialmente lançado nesta quarta-feira, 17

Da Redação, com CNBB

CNBB apresenta novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil / Foto: Luiz Lopes Jr.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). O Documento 114 da CNBB é fruto de um amplo processo de escuta, discernimento e participação eclesial realizado ao longo de mais de três anos e pretende orientar a missão evangelizadora da Igreja no país até 2032.

O lançamento aconteceu durante a reunião do Conselho Permanente, que teve início na terça-feira, 17, e se estende até esta quinta-feira, 18. A cerimônia foi realizada no Auditório Dom Hélder Câmara, na sede da CNBB, em Brasília (DF), e reuniu membros da presidência do episcopado, bispos, assessores, representantes das Edições CNBB e colaboradores da sede.

Ao abrir o evento, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, Cardeal Jaime Spengler, destacou que a publicação representa a conclusão de um trabalho intenso. “Estas Diretrizes orientam a presença da Igreja em nosso mundo, marcado por grandes possibilidades, mas também por desigualdades, injustiças e desafios que clamam por esperança, fé, cuidado e atenção à vida”, afirmou.

Neste contexto, o cardeal ressaltou que o documento é expressão da colegialidade do episcopado brasileiro e um convite à corresponsabilidade missionária. Segundo ele, as DGAE reafirmam que o compromisso com o Evangelho está inseparavelmente ligado ao compromisso com a vida, a justiça e a construção de uma sociedade mais integrada e fraterna.

Processo marcado pela sinodalidade

Por sua vez, o arcebispo de Santa Maria (RS) e presidente da comissão para a elaboração das Diretrizes, Dom Leomar Antônio Brustolin, explicou que o documento amadureceu ao longo de um processo marcado pela metodologia sinodal, em sintonia com os trabalhos do Sínodo sobre a Sinodalidade.

“Estas Diretrizes são fruto de um longo processo de escuta, diálogo, discernimento e conversação no Espírito. Envolveram bispos, assessores, organismos, igrejas particulares e inúmeras expressões do povo de Deus”, pontuou.

Documento 114 é fruto de processo de escuta e discernimento que levou três anos / Foto: Luiz Lopes Jr.

Segundo Dom Leomar, o texto passou por mais de vinte versões ao longo de sua elaboração e recebeu centenas de contribuições durante a 62ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em abril deste ano, em Aparecida (SP). Ao longo do processo, ele expressou que os bispos foram chamados a viver relações mais fraternas, processos mais participativos e uma autêntica conversão missionária.

Além disso, o arcebispo apresentou os cinco grandes caminhos que estruturam as novas DGAE:

  • Animação Bíblica da Vida e da Pastoral, reafirmando a centralidade da Palavra de Deus em toda a ação evangelizadora;
  • Iniciação à Vida Cristã, entendida como caminho de encontro pessoal com Jesus Cristo e formação de discípulos missionários;
  • Comunidade de Discípulos Missionários, que busca fortalecer a corresponsabilidade na missão e a vida comunitária;
  • Liturgia e a Piedade Popular, reconhecidas como fonte e expressão da vida cristã;
  • Serviço à Vida Plena, que reúne três compromissos fundamentais: a opção evangélica e preferencial pelos pobres, o cuidado da Casa Comum à luz da ecologia integral e a promoção da dignidade humana desde a concepção até o seu fim natural.

Tenda do encontro

O arcebispo de Olinda e Recife (PE) e segundo vice-presidente da CNBB, Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, apresentou os fundamentos bíblicos do documento. Ele explicou que uma das imagens centrais das DGAE é a tenda, que remete ao acolhimento, à hospitalidade e à abertura missionária.

“A Igreja é tenda do encontro, aberta a todos. É lugar de acolhida, proteção e esperança para aqueles que buscam abrigo em meio às tempestades da vida”, sinalizou.

O diretor-geral das Edições CNBB, monsenhor Jamil Alves de Souza, destacou a importância da publicação para a vida pastoral da Igreja no Brasil e agradeceu às equipes envolvidas na produção editorial da obra. “Trata-se de um texto que ilumina, fortalece e orienta a caminhada da Igreja no Brasil diante dos desafios do nosso tempo”, afirmou.

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