Com o tema “Tende coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,33), a 42ª edição do evento marcará o encontro da juventude católica em solo asiático em 2027
Thiago Coutinho
Da redação

Arte: Gabriel Fontana – Foto de fundo: José Rebocho/JMJ 2023 via Flickr
Daqui a 500 dias, terá início mais uma Jornada Mundial da Juventude (JMJ), desta vez realizada em solo asiático, mais precisamente na Coreia do Sul, que sediará o evento de 3 a 8 de agosto de 2027. Trata-se 42ª edição deste importante momento da Igreja dedicado aos jovens, instituído em 1985 por São João Paulo II.
“Tende coragem: eu venci o mundo!” (Jo 16,33) foi o tema escolhido pela organização, para esta edição do evento que será permeada pelo contexto da tecnologia, da fé católica e da cultura asiática. “O tema escolhido para Seul 2027 toca profundamente a realidade da juventude de hoje. Quando Jesus diz ‘tende coragem’, Ele não está ignorando as dores, os medos ou as inseguranças que muitos jovens vivem, especialmente em relação à saúde mental e ao futuro. Pelo contrário, Ele nos convida a atravessar tudo isso com Ele.”, afirma Layla Kamila, da equipe do Jovens Conectados, da Comissão para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O cenário do local da JMJ 2027
A Coreia do Sul localiza-se na península da Coreia, no leste do continente asiático. Faz divisa com a Coreia do Norte e é banhada pelos mares Amarelo e do Japão. Com 51 milhões de habitantes, o país é densamente povoado, sendo que mais de 80% da população vive em zonas urbanas. Seul, a capital, abriga quase 10 milhões de pessoas. A economia local destaca-se pela alta tecnologia na produção de eletrônicos e automóveis, além de um forte setor de serviços.
A separação das Coreias ocorreu em 1945. A Coreia do Sul declarou sua independência cinco anos depois, desencadeando a Guerra da Coreia, que se estendeu de 1950 a 1953.
A presença católica em solo coreano
De acordo com o relatório mais recente, intitulado “Estatísticas da Igreja Católica Coreana 2023”, divulgado pela Conferência Episcopal da Coreia do Sul, o número de católicos aumentou na Coreia do Sul. Foram recolhidos dados das 16 dioceses do país e o número total de católicos é de precisamente 5.970.675, aumento de 0,3% em relação a 2022.
O número de novos batizados, em 2023, chegou a 51.307 pessoas, aumento de 24% em relação ao ano anterior. Sobre o número de religiosos, são 1.602 religiosos do sexo masculino que pertencem a 48 ordens religiosas diferentes e 9.974 freiras divididas entre 125 congregações.
Expectativas para Seul
A 42ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Seul será a primeira em um país de maioria não cristã em décadas. Layla acredita que isso convida o jovem a sair de uma lógica mais confortável e a viver a fé de forma mais consciente, madura e testemunhal: uma oportunidade rica de crescimento. “O jovem não vai apenas participar de um grande encontro, mas experimentar a Igreja em sua universalidade, encontrando culturas, tradições e expressões religiosas diversas”, observa.
Ao final da oração mariana do Angelus de agosto do ano passado, após a missa do Jubileu dos Jovens, o Papa Leão XIV lembrou que a capital da Coreia do Sul seria o palco da próxima edição da JMJ.
“Renovo o convite feito pelo Papa Francisco em Lisboa, há dois anos: os jovens de todo o mundo se reunirão com o Sucessor de Pedro para celebrar a Jornada Mundial da Juventude em Seul, na Coreia, de 3 a 8 de agosto de 2027”, disse à época o Santo Padre.
“A organização da JMJ Seul 2027 começou e prossegue a passos largos rumo às datas escolhidas pelo Santo Padre. Junto com o Comitê organizador local em Seul, estamos trabalhando para garantir que bispos e jovens de todo o mundo, acolhidos pela Igreja coreana, se reúnam para testemunhar que o encontro com Cristo transforma a vida e dá a coragem para vencer os desafios aos quais são chamados”, disse, à época, o secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, Gleison de Paula Souza.
A participação do Brasil já é tradicional nas JMJs, com mobilização intensa das dioceses e expressões juvenis, em comunhão com a CNBB, para a participação dos jovens brasileiros. Para Seul 2027, ainda não foram oficialmente apresentadas etapas práticas específicas, mas Layla informa que a articulação deve acontecer em tempo oportuno. “Enquanto isso, o mais importante já está acontecendo: a preparação espiritual, comunitária e também, com responsabilidade, a organização pessoal de cada jovem, com iniciativas criativas para arrecadação de fundos.”, comentou.
Leão XIV será o terceiro Papa a visitar o país, que já recebeu São João Paulo II (1984 e 1989) e o Papa Francisco (2014), por ocasião da Jornada da Juventude Asiática.




