Na tarde desta segunda-feira, 23, Dom Erik Barden conduziu conferência sobre como Deus permite que o mundo “desmorone” para construir algo novo
Da Redação, com Vatican News

Foto: Canva
O pregador dos Exercícios Espirituais da Quaresma, Dom Erik Barden, conduziu sua terceira pregação na tarde desta segunda-feira, 23, no Vaticano. Nela, o religioso refletiu sobre a ajuda de Deus.
Segundo Dom Barden, a ideia de que Deus pode e quer ajudar os homens em suas dificuldades é um princípio fundamental expresso pela fé bíblica. Desta forma, o Deus de Abraaão, Isaac e Jacó – e que, em Jesus Cristo, Se fez compaixão encarnada – distingue-Se do conceito filosófico de “Motor Imóvel”.
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Recordando o Salmo 90 – “Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo” –, o pregador afirmou que o auxílio de Deus pode ser definido como uma morada, pois constitui uma realidade que sustenta o ser humano e dentro da qual é possível viver, mover-se e existir.
“O auxílio de Deus não é ocasional; não é um serviço de emergência ao qual recorremos quando uma casa pega fogo ou alguém é atropelado, como se ligássemos para o 192”, expressou o religioso.
Habitar no auxílio de Deus

Ilustração de Jó falando aos seus amigos, por Gustave Doré
Diante desse cenário, Dom Barden questionou o que se pode dizer, então, dos casos em que pessoas tementes a Deus caem e parecem ter sido abandonadas. Para responder a essa questão, o pregador recorre à figura de Jó, cujo livro na Bíblia pode ser ser dividido em três movimentos: passando do Lamento visceral a uma exposição da Ameaça, até a experiência inesperada da Graça.
O religioso enfatizou que Jó não aceita as racionalizações dos seus amigos, recusando-se a pensar que Deus esteja fazendo contas com sua vida como se fosse um balanço contábil. Ele está determinado a encontrar Deus presente na aflição.
“Como fiéis, podemos considerar, em certo nível, a religião como uma apólice de seguro: certos de poder contar com a ajuda de Deus, julgamos estar a salvo do perigo”, sinalizou Dom Barden. Contudo, quando o mal atinge o ser humano, o mundo parece desmoronar. “Como enfrento as provações que parecem sem sentido, que destroem minhas barreiras protetoras?”, refletiu o religioso.
Diante desses questionamentos, o pregador frisou: “Deus pode tornar possível um mundo novo e abençoado depois de derrubar os muros que pensávamos ser o mundo — muros dentro dos quais, na verdade, estávamos sufocando”. Assim, “habitar no auxílio de Deus não significa negociar seguranças. Significa atravessar o Lamento e a Ameaça para aprender a viver com Graça nesse novo nível de profundidade. E, assim, permitir que outros o encontrem”, concluiu.




