Catequese - Lumen Gentium

Papa: numa humanidade fragmentada, Igreja é sinal de reconciliação

Leão XIV dedicou a catequese de hoje à Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja

Da Redação, com Vatican News

O Papa Leão XIV aparece acenando no papamóvel em meio a uma multidão de fiéis que o cercam

Leão XIV acena aos fiéis na Praça São Pedro na catequese desta quarta-feira, 18 / Foto: REUTERS/Remo Casilli

A Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, foi o tema da catequese do Papa Leão XIV nesta quarta-feira, 18, na Praça São Pedro. O Pontífice segue no ciclo de reflexões sobre os documentos do Concílio Vaticano II.

Aprovada em 21 de novembro de 1964, a Lumen Gentium recorreu ao termo “mistério” das Epístolas de São Paulo. Segundo o Papa, ao escolher este termo, o Apóstolo dos Gentios não quis dizer que a Igreja seja algo obscuro ou incompreensível, mas indicar uma realidade que antes estava oculta e que então foi revelada.

“Este é o plano de Deus, que tem um propósito: unificar todas as criaturas através da ação reconciliadora de Jesus Cristo, ação essa consumada na sua morte na cruz”, disse Leão XIV. Ele ressaltou que se experimenta isso “na assembleia reunida para a celebração litúrgica”.

Manifestação do plano de Deus

Para São Paulo, continuou o Papa, o mistério é a manifestação daquilo que Deus quis realizar para toda a humanidade. Revela-se nas experiências locais, que se expandem gradualmente para incluir todos os seres humanos e até o cosmos.

“A condição da humanidade é uma fragmentação que os seres humanos são incapazes de remediar, embora o anseio pela unidade habite nos seus corações”, frisou. “É nesta condição que entra em ação a obra de Jesus Cristo, que, pelo Espírito Santo, vence as forças da divisão e o próprio Divisor”, sublinhou.

O ato de reunir-se para rezar é vivido, neste sentido, como uma atração exercida pela cruz de Cristo, manifestação suprema do amor de Deus. “É sentir-se chamado por Deus: por isso se usa o termo ekklesia, isto é, uma assembleia de pessoas que se reconhecem como tendo sido chamadas. Assim, há uma certa coincidência entre este mistério e a Igreja: a Igreja é o mistério que se torna percetível.”

Igreja, sinal de Deus

De acordo com o Papa, este chamado, por ser realizado por Deus, não pode limitar-se a um grupo de pessoas, mas se destina a tornar-se uma experiência para todos os seres humanos. Por isso, o Concílio Vaticano II, no início da Constituição Lumen Gentium, afirma: “a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”.

Leão XIV explicou que com o uso do termo “sacramento” e a consequente explicação, pretende-se indicar que a Igreja é, na história da humanidade, uma expressão daquilo que Deus deseja realizar. Por isso, ao contemplá-la, apreende-se, em certa medida, o plano de Deus, o mistério: neste sentido, a Igreja é um sinal.

“Além disso, acrescenta-se ao termo ‘sacramento’ o termo ‘instrumento’, para indicar que a Igreja é um sinal ativo. De fato, quando Deus age na história, envolve na sua atividade as pessoas que são receptoras da sua ação. É através da Igreja que Deus alcança o objetivo de unir as pessoas a si e de as reunir entre si”, destacou.

A Páscoa de Jesus e a identidade da Igreja

“A união com Deus encontra o seu reflexo na união das pessoas humanas. Esta é a experiência da salvação”, disse ainda o Papa. Ele explicou que não é por acaso que no número 48 do capítulo VII da Lumen Gentium, dedicado à natureza escatológica da Igreja peregrina, se descreve novamente a Igreja “como sacramento, com a especificação de salvação”.

De acordo com o Santo Padre, este texto da Lumen Gentium ajuda a compreender a relação entre a ação unificadora da Páscoa de Jesus, que é o mistério da sua paixão, morte e ressurreição, e a identidade da Igreja.

“Ao mesmo tempo, faz-nos sentir gratos por pertencermos à Igreja, o corpo de Cristo ressuscitado e o único povo de Deus em peregrinação através da história, que vive como uma presença santificadora no meio de uma humanidade ainda fragmentada, como um sinal efetivo de unidade e reconciliação entre os povos.”, concluiu.

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