Em sua visita pastoral a Óstia neste domingo, 15, Leão XIV celebrou a Missa na Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz e frisou papel da comunidade no cuidados dos jovens
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV saúda fiéis durante sua visita pastoral em Óstia / Foto: Marco Iacobucci/IPA/Sipa USA via Reuters
O ápice da visita pastoral do Papa Leão XIV a Óstia neste domingo, 15, foi a Missa na Paróquia Nossa Senhora Rainha da Paz. Após encontrar-se com a comunidade local, o Pontífice presidiu a celebração acompanhada por fiéis dentro e fora da igreja.
Em sua homilia, o Santo Padre manifestou sua alegria por estar ali, vivendo o gesto que dá nome ao domingo. “É o ‘dia do Senhor’ porque Jesus Ressuscitado vem ao nosso encontro, nos escuta, nos fala, nos alimenta e nos envia”, pontuou.
Busca pela plenitude de vida
No Evangelho deste domingo (Mt 5,17-37), Jesus anuncia a “nova lei”, que não se trata apenas de um ensinamento, mas a força para colocá-lo em prática. “É a graça do Espírito Santo que escreve de forma indelével em nosso coração e leva ao cumprimento os mandamentos da Antiga Aliança”, destacou Leão XIV.
O Papa recordou que a Primeira Leitura (Eclo 15,16-21) convida os fiéis a verem no mandamento do Senhor não uma lei opressiva, mas uma pedagogia para a humanidade em busca de plenitude de vida e liberdade. Segundo o Pontífice, Jesus “indica como caminho para a plenitude humana uma fidelidade a Deus fundada no respeito e no cuidado com o outro em sua sacralidade inviolável, a ser cultivada, no coração, antes mesmo de gestos e palavras”.
“É ali, de fato”, prosseguiu o Santo Padre, “que nascem os sentimentos mais nobres, mas também as profanações mais dolorosas: o fechamento, a inveja, o ciúme. Por isso, quem pensa mal de seu irmão, nutrindo sentimentos ruins em relação a ele, é como se, no seu íntimo, já o estivesse matando”.
Semear a semente do Evangelho
Na sequência, Leão XIV recordou as palavras da Primeira Carta de São João, na qual o apóstolo escreve: “todo aquele que odeia o seu irmão é assassino” (1Jo 3,15). “Como essas palavras são verdadeiras”, exclamou o Papa. “Quando também nos encontrarmos julgando e desprezando os outros, lembremo-nos de que o mal que vemos no mundo tem suas raízes precisamente ali, onde o coração se torna frio, duro e desprovido de misericórdia”, reiterou.
O Pontífice reconheceu que esta violência também existe em Óstia, ganhando força, às vezes, entre jovens e adolescentes. Ele apontou o abuso de substâncias e a exploração por organizações criminosas como possíveis motivos para essa realidade e, diante deste fenômeno, convidou a comunidade paroquial a seguir se dedicando para semear a boa semente do Evangelho.
“Não se conformem com uma cultura de abuso e injustiça”, sublinhou o Santo Padre. “Pelo contrário, difundam o respeito e a harmonia, começando por desarmar a linguagem e investindo energia e recursos na educação, especialmente das crianças e dos jovens”, acrescentou.
Leão XIV exortou os fiéis a ensinarem, na paróquia, a honestidade, o acolhimento e o amor que ultrapassa fronteiras, indo ao encontro de todos de forma gratuita e livre. “Que este seja o objetivo de seus esforços e atividades, para o bem de quem está perto e quem está longe, para que até mesmo quem é escravo do mal possa encontrar, por meio de vocês, o Deus do amor, o único que liberta o coração e torna verdadeiramente feliz”, exprimiu.
“A nossa paz é Cristo”
Em seguida, o Papa recordou que, há 110 anos, o Papa Bento XV quis que a paróquia fosse intitulada em homenagem a Nossa Senhora Rainha da Paz, no auge da Primeira Guerra Mundial.
“Com o passar do tempo, infelizmente, muitas nuvens ainda obscurecem o mundo, com a difusão de lógicas contrárias ao Evangelho, que exaltam a supremacia do mais forte, encorajam a prepotência e alimentam a sedução da vitória a todo custo, surdas ao grito de quem sofre e de quem é indefeso”, pontuou o Santo Padre. Diante disso, convidou os fiéis a se oporem a essa tendência “com a força desarmante da mansidão, continuando a pedir a paz, a acolher e a cultivar esse dom com tenacidade e humildade”.
Leão XIV concluiu sua homilia ressaltando que “a nossa paz é Cristo, que se conquista deixando-se conquistar e transformar-se por Ele, abrindo-lhe o coração e, com a sua graça, abrindo-o àqueles que Ele mesmo coloca no nosso caminho”.




