Audiência

Papa: a guerra é o ataque mais grave contra a vida e a saúde pública

Na audiência à Pontifícia Academia para a Vida, Leão XIV lembra que é necessário dedicar todos os esforços à proteção da vida e a saúde

Da redação, com Vatican News

Foto: Vatican Media/Catholic Press Photo/IPA via Reuters Connect

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta segunda-feira, 16, os participantes da Plenária da Pontifícia Academia para a Vida, que tem por tema “Saúde para todos. Sustentabilidade e equidade”.

Para o Pontífice, este é um debate de grande importância, seja para a atualidade, seja do ponto de vista simbólico: “Em um mundo dilacerado por conflitos, que absorvem enormes recursos econômicos, tecnológicos e organizacionais para produzir armas e outros dispositivos bélicos, é extremamente significativo dedicar tempo, esforços e competências para proteger a vida e a saúde”.

Como dizia o Papa Francisco, a saúde não é um bem de consumo, mas um direito universal, e o acesso aos serviços não pode ser um privilégio.

Não concentrar-se no lucro imediato

O primeiro aspecto ressaltado por Leão XIV foi a ligação entre a saúde de todos e a saúde de cada um. “A pandemia da Covid-19 demonstrou-nos isso de forma por vezes brutal”, disse o Papa, pois tornou evidente como a reciprocidade e a interdependência estão na base da saúde e da própria vida.

“Nesse sentido, gostaria de reiterar que é preciso concentrar-se não no lucro imediato, mas no que será melhor para todos, sabendo ser pacientes, generosos e solidários, criando laços e construindo pontes, para trabalhar em rede, para otimizar os recursos, para que todos possam se sentir protagonistas e beneficiários do trabalho comum.”

As guerras, o ataque mais absurdo

A prevenção foi outro tema destacado pelo Pontífice, pois envolve políticas sociais e ambientais. Com efeito, ao se examinar a expectativa de vida em diferentes países e em diferentes grupos sociais, descobre-se enormes desigualdades diante de variáveis como o nível salarial, o grau de escolaridade.

“E, infelizmente, hoje não podemos deixar de lado as guerras, que envolvem estruturas civis, incluindo hospitais, e constituem os mais graves ataques que a humanidade pode infligir à vida e à saúde pública. Afirma-se frequentemente que a vida e a saúde são valores igualmente fundamentais para todos, mas tal afirmação é hipócrita se, ao mesmo tempo, não nos interessarmos pelas causas estruturais e pelas escolhas operacionais que determinam as desigualdades”, denunciou o Santo Padre.

Apesar das declarações e proclamações, prosseguiu, a realidade é que nem todas as vidas são igualmente respeitadas e a saúde não é protegida nem promovida da mesma forma para todos.

Fortalecer as relações internacionais e multilaterais

Como auxílio aos desafios contemporâneos, o Papa indica a noção de “One Health” (Saúde Única), que enfatiza a dimensão ambiental e a interdependência das múltiplas formas de vida e dos fatores ecológicos que permitem seu desenvolvimento equilibrado.

Traduzido em termos de ação pública, a Saúde Única exige a integração da dimensão sanitária em todas as políticas (transportes, habitação, agricultura, emprego, educação, etc.), na consciência de que a saúde se constrói na intersecção de todas as dimensões da vida social.

Considerando o alcance global da questão, o Pontífice reiterou a necessidade de encontrar formas eficazes de fortalecer as relações internacionais e multilaterais, para que elas possam recuperar a força necessária para desempenhar o papel de encontro e mediação, necessário para prevenir conflitos, e ninguém seja tentado a prevalecer sobre o outro com a lógica da força, seja ela verbal, física ou militar.

O Santo Padre concluiu fazendo votos de que este trabalho seja um testemunho eficaz da atitude de cuidado mútuo em que se expressa o estilo de Deus para conosco, que cuida de todos os seus filhos.

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