Vários países do mundo celebram hoje o Dia dos Namorados; no Brasil, o Dia de São Valentim aos poucos ganha espaço e torna-se uma oportunidade para celebrar o amor verdadeiro
Kelen Galvan
Da redação

Foto: Canva
O Dia de São Valentim ou Valentine’s Day é celebrado neste sábado, 14, em dezenas de países no mundo todo como o Dia dos Namorados. Apesar de, no Brasil, esta celebração acontecer apenas no dia 12 de junho, aos poucos essa tradição têm se popularizado, tornando-se uma ocasião a mais para celebrar o amor.
“Esse amor é fortalecido cada vez que o celebramos, nas atitudes e também nas memórias que criamos”, afirma Solange Schila, que juntamente com seu marido Alisson Schila, coordena a Pastoral Familiar em âmbito nacional.
Ela enfatiza que essa celebração do amor não diz respeito só ao período do namoro, mas vale para toda a caminhada conjugal. “Quando, num relacionamento conjugal de muitos anos, se recorda o sentimento daquele primeiro instante, do qual surgiu um namoro, voltam essas memórias afetivas que nos fazem muito bem”, afirma Solange.

Alisson e Solange Schila / Foto: Reprodução Pastoral Familiar
Alisson cita como exemplo um fato recente. “Esses dias no carro ouvimos uma música e eu falava para a Solange que era a canção que eu escutava quando namorávamos. Nós morávamos longe um do outro e essa música me fazia lembrar dela e me trazia o sentimento de saudade. Então fica sempre no coração esse ‘banco de dados’ sentimental”.
Ele afirma que viver bem a fase do namoro é importante, dentro da perspectiva cristã, para que seja criado um “grande banco de dados sentimental”, pois ele será levado para toda a vida conjugal.
Pilares do amor cristão
São Valentim foi um padre católico do século III. Ele desafiou o imperador romano Cláudio II, que havia proibido a realização de casamentos, e realizou vários matrimônios às escondidas. Ao descobrir isso, o imperador mandou decapitá-lo em 14 de fevereiro de 269. Diferente da visão comercial do Dia dos Namorados, a história deste mártir que defendeu o valor do sacramento do matrimônio, celebra o amor cristão.
Amar é a vocação fundamental e inata de todo ser humano, destaca o Catecismo da Igreja Católica (CIC n.1604) e, no matrimônio o casal é chamado a viver um amor a exemplo de Cristo (CIC n.1661).
Solange destaca que amar de verdade exige, além do amor, a decisão. “É uma decisão que precisa ser tomada diariamente diante de todas as atitudes, diante de todas as situações que se apresentarem. Então, esse é o significado cristão do amor: doação”.
Como pilares fundamentais para o amor, Alisson indica o altruísmo e a empatia. “Colocar-se no lugar do outro, sentir as coisas, ter os sentimentos que o outro possa ter, o outro enquanto pessoa plena”. Solange complementa, destacando a castidade e a capacidade de perdoar.
Alisson ressalta que, em qualquer fase do relacionamento, é importante entender que o amor cristão significa também o sofrimento. “O símbolo maior que nós temos desse amor sacrificial é o Cristo na cruz e isso trazemos para o nosso dia a dia. Existem muitos momentos bonitos, mas também existem aqueles momentos onde há dificuldades”.
Diferencial do namoro cristão
Alisson Schila destaca que o período do namoro é uma fase de discernimento, de conhecer melhor um ao outro, e deve ser vivido dentro da perspectiva cristã, de respeito e amor ao outro. Ele lembra que, durante esta fase, é comum viver o sentimento da paixão, em algumas pessoas isso acontece até de forma “descontrolada”, por isso é importante ter essa visão cristã nessa fase importante do relacionamento. “Nós deixamos e levamos marcas das pessoas muito mais do que imaginamos”, afirma.
Solange aponta que o namoro cristão não fica só nessa dimensão da “romantização” do amor, mas investe no conhecimento mútuo com maior profundidade. “Ao conhecer melhor a si mesmo e ao outro, [o casal] também vai aprendendo que cada um tem pontos que precisam ser melhorados, que precisam ser trabalhados para uma convivência, para que seja realmente um amor fecundo”.
Nesse sentido, o casal salienta a importância da vivência da castidade desde o período do namoro para construir um relacionamento sólido. “São João Paulo II, na teologia do corpo, já nos ensinava que a castidade é um dom, é um presente de Deus para que possamos vivê-la e adequá-la, para que nós possamos ser cada vez mais pessoas. E, enquanto pessoas, em nossa individualidade, podemos discernir e, principalmente, exercer a nossa liberdade plena perante o outro com o qual nos relacionamos”, afirma Alisson.


