Desde a primeira locução em 12 de fevereiro de 1931, a Rádio Vaticano serviu nove Papas, sendo um eco de sua voz e da mensagem evangélica
Da Redação, com Vatican News

Estúdios da Rádio Vaticano com o jornalista Silvonei José, a “voz brasileira do Papa” / Foto: Reprodução Canção Nova Roma
Difundir a mensagem do Evangelho, a voz do Papa e seu ensinamento por todo o mundo. Esta é a missão da Rádio Vaticano, que completa 95 anos nesta quinta-feira, 12. A emissora do Papa caminha para um século de existência encontrando comunidades, ouvindo e servindo.
Era 12 de fevereiro de 1931 quando o cientista Guglielmo Marconi falou, pela primeira vez, pelos microfones da Rádio Vaticano. Ele havia recebido do Papa Pio XI a tarefa de projetar e construir este instrumento de comunicação, cuja condução ficaria a cargo dos jesuítas.
Um editorial publicado hoje no Portal Vatican News por ocasião da data comemorativa enfatiza que esta escolha pastoral do Pontífice foi precisa: utilizar os meios mais avançados da época para alcançar os corações das pessoas. “Desde então, a Rádio Vaticano atravessou a história: guerras e acordos de paz, pobreza e ajuda, devastação e reconstrução, exclusão e acolhimento, transformações sociais, políticas e tecnológicas, sempre levando a mensagem cristã, a luz da esperança, interpretando todos os acontecimentos à luz da doutrina social.”, informa o editorial.
O multiculturalismo desta missão
De Pio XI a Leão XIV, a Rádio Vaticano serviu nove Papas. Atravessou períodos obscuros da história, como a Segunda Guerra Mundial, os anos do totalitarismo e os muitos conflitos ao redor do mundo, a exemplo da recente guerra na Ucrânia e no Oriente Médio. Entre coberturas histórias, o Concílio Vaticano II e os Jubileus.
Uma característica distintiva dessa missão, segundo o texto do editorial, é o multiculturalismo. As pessoas que trabalham hoje na Rádio do Papa são provenientes de 69 nações. A estrutura da rádio conta com 34 redações – mais uma multimídia – alcançando periferias geográficas e existenciais em todo o mundo em vários idiomas. “Em muitos países, a Rádio do Papa foi, por décadas, e às vezes ainda é, uma presença discreta, porém fundamental, para as comunidades cristãs e não só.”, frisa o texto.
Transformações e era da IA
A partir do processo de reforma das comunicações iniciado pelo Papa Francisco, a Rádio Vaticano passou por transformações. A criação do Dicastério para a Comunicação e o processo de integração midiática exigiu mudanças organizacionais, profissionais e de visão. Um caminho complexo que segue até hoje, tendo como base a “comunicação desarmada e desarmante”, capaz de contribuir para uma sociedade mais fraterna, solidária, acolhedora e pacífica.
Ao chegar aos 95 anos, a rádio se depara com outro contexto desafiador: a era da inteligência artificial, que traz mudanças profundas para o mundo da mídia e comunicação.
“A Rádio Vaticano, sempre atenta às vanguardas tecnológicas, explora certamente esta fronteira da inteligência artificial, mas nunca se afastará da consciência de que a rádio é um encontro entre pessoas, é uma palavra que nasce de um rosto, de uma consciência, de uma responsabilidade.”




