Leão XIV enviou telegrama para a celebração de acolhida da Cruz Olímpica e Paralímpica realizada ontem em uma basílica de Milão, sede dos jogos
Da Redação, com Vatican News

Papa durante catequese no Vtaicano/ Foto: REUTERS/Remo Casilli
O Papa Leão XIV deseja que os Jogos Olímpicos de Inverno 2026 ajudem a construir pontes entre culturas e povos, promovendo a paz. Este foi o teor de um telegrama que ele enviou para a celebração de acolhida da Cruz Olímpica e Paralímpica dos Atletas realizada nesta quinta-feira, 29, na Basílica de San Babila em Milão, cidade que, junto à comuna de Cortina, acolhe a próxima edição dos jogos.
A mensagem é assinada pelo secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, e foi enviada ao arcebispo de Milão, Dom Mario Delpini. Ele será o anfitrião de 3.500 atletas de 93 países, inclusive do Brasil, para os 17 dias de competições a partir de 6 de fevereiro.
O Pontífice dirigiu uma saudação especial aos participantes da missa durante a qual representantes da Athletica Vaticana – a associação poliesportiva oficial da Santa Sé – entregou a cruz dos atletas. Eles receberam o símbolo durante o Jubileu do Esporte em junho de 2025.
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“Que este importante evento suscite sentimentos de amizade e fraternidade, reforçando a consciência do valor do esporte a serviço do desenvolvimento integral da pessoa humana”, expressou o Papa. Ele assegurou suas orações para que “estes dias de saudável competição contribuam a construir pontes entre culturas e povos, promovendo o acolhimento, a solidariedade e a paz”.
O acolhimento à Cruz Olímpica
Segundo comunicado da Arquidiocese de Milão, antes da celebração, a Cruz Olímpica foi levada ao altar da basílica após uma procissão que começou fora da igreja. Durante a missa, foi lida uma oração composta pelo arcebispo Delpini por ocasião dos Jogos Olímpicos.
A celebração, que contou com a presença do secretário do Dicastério para a Cultura e a Educação, Dom Paul Tighe, antecipou em um dia o início da trégua olímpica. De acordo com a resolução aprovada, com amplo consenso, pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 19 de novembro, o período de trégua vai de uma semana antes do início das Olimpíadas (cuja abertura será em 6 de fevereiro) até uma semana após o encerramento das Paralimpíadas (com cerimônia final em 15 de março).
Desde as Olimpíadas de Londres de 2012, o símbolo é confiado à diocese-sede dos Jogos – tanto de inverno como de verão. E, durante todo o período de competição, o local também é designado a acolher as celebrações relacionadas ao evento. Entre as iniciativas previstas, as missas de domingo de 8 e 15 de fevereiro e de 15 de março em diferentes idiomas — inglês, francês, alemão e italiano — para permitir a participação tanto dos membros das delegações internacionais quanto dos turistas presentes em Milão por ocasião dos Jogos.
A peregrinação durante o Jubileu do Esporte
Em 14 de junho de 2025, durante o Jubileu do Mundo do Esporte, a Athletica Vaticana recebeu a Cruz Olímpica no início da peregrinação na Piazza Pia. Até a Basílica de São Pedro, o símbolo passou de mão em mão até chegar ao presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, na passagem da Porta Santa, acompanhado pelo Cardeal José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação.
A Cruz foi criada pelo artista inglês Jon Cornwall especialmente para a edição dos Jogos de Londres em 2012. São 15 pedaços de madeiras diferentes (considerando também o pódio que a sustenta), cuidadosamente selecionados e provenientes de diferentes partes do mundo: do próprio Brasil e também da Terra Santa, mas inclusive da China, Rússia, África, Índia, Austrália, Argentina, Jamaica, América do Norte e, precisamente, de Londres.
A passagem da Cruz pelo Brasil
Após os Jogos de 2012, a Cruz dos Atletas acabou sendo confiada espontaneamente à Arquidiocese do Rio de Janeiro para as Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016. Foi justamente no Brasil, por ocasião da JMJ 2013, que o Papa Francisco abençoou a Cruz que, em 2014, esteve “presente” na Copa do Mundo de futebol, também no Rio de Janeiro.
Para os Jogos de Tóquio, em 2021, a pandemia impediu a organização das iniciativas. Assim, a Cruz — levada a Lisboa em 2023 para a JMJ — encontrou seu lugar em Paris, na “Capela dos Atletas”, montada na Igreja da Madalena.




