A Open Doors divulgou uma lista atualizada sobre a perseguição cristã ao redor do globo; os dados mostram que mulheres e crianças são as vítmas mais comuns
Da redação, com Vatican News

Número de cristãos perseguidos cresceu segundo estimativas da Open Doors / Foto: jcomp por Freepik
O número de cristãos expostos à perseguição e em risco de sofrer violência em todo o mundo aumentou em 8 milhões de pessoas em comparação com o ano passado, atingindo o recorde de 388 milhões.
“Infelizmente, este é mais um ano recorde”, observou Cristian Nani, diretor da Portas Abertas, que publicou nesta quarta-feira, 15, a Lista Mundial de Vigilância 2026, seu relatório mais recente sobre cristãos perseguidos em todo o mundo. “Desses 388 milhões, 201 milhões são mulheres ou meninas; enquanto 110 milhões são menores de 15 anos.”
Violência e discriminação
De acordo com a Lista Mundial de Vigilância, o número de países com um nível de perseguição anticristã que pode ser descrito como “extremo” subiu de 13 para 15.
A Coreia do Norte continua sendo o país onde é mais perigoso ser cristão. A lista de países com um nível alarmante de perseguição também inclui Somália, Eritreia, Líbia, Afeganistão, Iêmen, Sudão, Mali, Nigéria, Paquistão, Irã, Índia, Arábia Saudita, Mianmar e Síria.
A Síria passou de um nível “alto” para um nível “extremo”, segundo a Lista Mundial de Vigilância.
Em entrevista ao Vatican News, o Sr. Nani afirmou que os cristãos na Síria estão em perigo porque o novo poder político ainda está parcialmente “fragmentado”, como também demonstrado pelos confrontos dos últimos dias em Aleppo.
“Com base em nossos dados, restam apenas 300 mil cristãos na Síria — ou seja, centenas de milhares a menos do que há dez anos”, observou.
Foco na África Subsaariana
Após um declínio, o número de assassinatos de cristãos voltou a aumentar, passando de 4.476 para 4.849 — 13 por dia.
A Nigéria é confirmada como o epicentro da violência, com 3.490 vítimas, cerca de 70% do total global de pessoas mortas.
O número de cristãos presos por sua fé permanece praticamente inalterado (4.712 em comparação com 4.744 em 2024), enquanto o número de cristãos sequestrados diminuiu (3.302 contra 3.775 em 2024).
Os ataques contra igrejas também diminuíram (de 7.679 para 3.632), assim como os ataques contra casas ou lojas (de 28.368 para 25.794), enquanto o número de vítimas de abuso, estupro e casamentos forçados aumentou (de 3.944 para 5.202).
O diretor da Portas Abertas apontou a África Subsaariana como área de “observação especial” da Lista de Vigilância 2026, devido, em particular, à presença de “governos frágeis” que deixam os cristãos expostos à violência.
“O centro de gravidade do cristianismo deslocou-se para a África, mas é lá que ele está sob ataque principalmente”, disse Nani, referindo-se ao continente onde vive cerca de um oitavo da população cristã mundial.
O Sudão está entre os países particularmente críticos, acrescentou, devido à guerra civil, mas também a Nigéria, o Mali, o Níger, o Burkina Faso, a República Democrática do Congo e Moçambique.
Os ataques contra cristãos, nesses contextos frágeis, têm uma série de causas em que fatores econômicos se combinam com uma dimensão religiosa.
Ataques na Nigéria
A Lista de Vigilância 2026 foi apresentada nesta quarta-feira, 15, no Salão dos Caídos de Nassiriya do Senado italiano, em Roma, acompanhada do relato de uma testemunha da Nigéria, um dos países mais afetados pela crescente insegurança.
Nos últimos dias, a Portas Abertas coletou diversos depoimentos de cristãos preocupados com possíveis represálias de grupos terroristas após a operação militar americana de Natal, relatando também os mais recentes episódios de violência no norte da Nigéria.
Entre eles, destacam-se as 14 vítimas de ataques do Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) no estado de Adamawa, em 29 de dezembro, e as dezenas de vítimas de homens armados não identificados que atacaram um mercado em Dema, no estado de Níger, em 4 de janeiro.



