Leão XIV celebrou a Santa Missa nesta quinta-feira, 8, com os cerca de 170 cardeais participantes do Consistório extraordinário
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV durante homilia da Santa Missa na manhã desta quinta-feira, 8, na Basílica de São Pedro, no Vaticano /Foto: Vatican Media/ Mario Tomassetti via Reuters
O segundo e último dia do Consistório extraordinário em andamento no Vaticano teve início com a Missa presidida pelo Papa Leão XIV no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro. Na homilia, o Pontífice buscou na raiz da palavra consistorium — “assembleia” — a inspiração para sua reflexão.
O verbo consistere, explicou o Santo Padre, pode ser interpretado como “parar”. E foi exatamente isso que, segundo ele, fizeram o Papa e os cardeais: interromperam, por um tempo, suas atividades e renunciaram a compromissos importantes para se reunirem e discernirem o que o “Senhor pede para o bem do seu Povo”.
Para Leão XIV, “parar” é um gesto profundamente significativo e profético, sobretudo no contexto da sociedade frenética atual. Segundo o Pontífice, é necessário parar para rezar, ouvir e refletir, a fim de retomar o foco nas metas essenciais.
“Os céus estão acima da terra”
Em uma analogia, o Papa explicou que, no Consistório, os cardeais confiam projetos e inspirações ao juízo de um discernimento que ultrapassa o humano, “tanto quanto os céus estão acima da terra”. Trata-se, afirmou, de momentos de impulso que só podem “vir de Deus”.
O Santo Padre sublinhou ainda a importância de os sacerdotes colocarem sobre o Altar todos os desejos e pensamentos, oferecendo-os ao Pai em união com o Sacrifício de Cristo.
“O nosso Colégio, embora rico de tantas competências e dotes notáveis, na verdade, não é chamado a ser, em primeiro lugar, uma equipe de especialistas, mas uma comunidade de fé, na qual os dons que cada um traz, oferecidos ao Senhor e por Ele restituídos, produzam, segundo a sua Providência, o máximo fruto”, refletiu.
Papel dos cardeais diante de uma humanidade faminta de paz
O Consistório, prosseguiu o Papa, deve ser vivido como um grande ato de amor a Deus, à Igreja e aos homens e mulheres de todo o mundo. Ele ressaltou a necessidade de deixar-se moldar pelo Espírito Santo, primeiramente na oração e no silêncio, mas também na partilha da palavra e na escuta de todos.
Na diversidade de origens e idades, Leão XIV destacou que os cardeais se colocam diante de uma humanidade “faminta de bem e de paz”, em um mundo no qual saciedade e fome, abundância e miséria, luta pela sobrevivência e vazio existencial continuam a dividir e ferir pessoas, nações e comunidades.
O Pontífice alertou ainda para o risco do desânimo diante das muitas dificuldades a serem superadas. Segundo ele, nem sempre será possível encontrar soluções imediatas para os desafios enfrentados. No entanto, em qualquer lugar e circunstância, acrescentou, é sempre possível exercer a ajuda mútua — e ajudar o Papa — a encontrar os “cinco pães e dois peixes” que a Providência nunca deixa faltar àqueles que pedem ajuda; acolhê-los, oferecê-los, recebê-los e distribuí-los, para que a ninguém falte o necessário.
Dirigindo-se diretamente aos cardeais, Leão XIV afirmou que aquilo que oferecem à Igreja é algo grandioso e que a responsabilidade partilhada com o Sucessor de Pedro é grave e exigente. Por isso, concluiu: “Por isso, agradeço-lhes de coração”.
No primeiro dia de trabalhos, o Colégio Cardinalício definiu a sinodalidade e a missão como os principais temas de reflexão deste Consistório.
No vídeo acima:
Reportagem de Danúbia Gleisser
Imagens de Daniele Santos, Vatican News, Vatican Media, Arquivo CN Roma
Edição de Daniele Santos




