COMPLEMENTAÇÃO

Pesquisa indica que 45% dos brasileiros buscam por renda extra

Alternativas de emprego ajudam brasileiros com as contas

Reportagem de Idalina Miranda e Genilson Pacetti

Mesmo com a menor taxa de desemprego dos últimos quatorze anos, muitos brasileiros ainda recorrem a outras atividades para complementar a renda mensal. Esta movimentação no mercado de trabalho, no entanto, exige equilíbrio e conhecimento.

Há 3 anos, Júlia tomou a decisão de empreender no e-commerce. “A princípio era presentes, então era canecas, cadernos. Depois eu senti a necessidade de expandir e abrir uma loja de brindes corporativos”, falou a empreendedora e estrategista digital, Júlia Campos. 

Com o tempo disponível, decidiu optar por uma segunda renda e apostou novamente no digital. “Então eu trabalho tanto em casa como em cafeterias, em coworking”, contou ela. 

Nos últimos dois anos, o Brasil passou por uma aceleração econômica e diminuiu a taxa de desemprego, o que se refletiu na redução da procura por uma colocação no mercado de trabalho. “Se eu tenho um emprego e eu ainda tenho oportunidade de encontrar uma outra possibilidade de ganho, isso tem aumentado o número de pessoas com dois empregos”, ressaltou o economista, Edson Trajano. 

A pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis apontou que 45% dos brasileiros buscaram por uma renda extra. Atitude certeira que faz com que a Júlia contribua com o trabalho do Mateus.

“Hoje quem não tá no digital tá invisível. A gente gosta de falar muito isso. Então eu tenho uma fase que veio antes da Júlia e depois da Júlia. Então com a Júlia, para mim, foi sensacional. Ela é uma pessoa que edita muito bem, ela é uma pessoa que faz o negócio funcionar por trás das câmeras”, afirmou o designer, Matheus de Castro.

O especialista do Sebrae aponta dois tipos de empreendedores. “Por necessidade é bem isso de complementar renda. Eu preciso melhorar porque eu preciso, eu quero fazer um projeto ou tá sobrando mês no fim do salário e outro empreendedorismo é por oportunidade, Eu quero empreender, esse é o meu sonho, eu vou por aí”, analisou o gerente regional do Sebrae, Paulo Cereda. O conhecimento é a chave para os dois perfis. “A partir do momento que eu descobri onde eu quero chegar, porque que eu quero chegar, é importante, eu vou buscar informação, porque eu vou escrever um bom plano de negócio. E quando eu vou escrever no plano de negócio, eu vou melhorando a minha informação. Se eu pratiquei esses dois, eu reduzo o risco. E o quinto, resiliência”, acrescentou ele.

Já o economista deixa um alerta. O Sistema Previdenciário pode ser prejudicado. “Outras formas de contratação que não o trabalho com carteira assinada reduz a arrecadação previdenciária no país. Por outro lado, nós estamos passando por um período de transição demográfica, ou seja, a população brasileira está envelhecendo. Qual o resultado disso? Reduz o número de contribuintes na previdência e aumenta o número de beneficiários na previdência”, alertou Edson.

Júlia e Mateus seguem de olho no futuro, seja pela CLT ou na informalidade. O objetivo é avançar. “Eu acredito que se houver uma proposta de um emprego, CLT, eu aceitaria uma boa proposta”, expressou Júlia. “Mas sendo bem sincero, com todo esse acréscimo que a gente tá acontecendo aí, eu espero que até o fim do ano seja totalmente a minha renda principal”, concluiu Matheus.

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