Burnout se torna frequenta na área da educação
Reportagem de Aline Imercio e Antonio Matos
A saúde mental dos professores vêm preocupando, de acordo com recente estudo os números foram expressivos este ano em São Paulo.
“Fui parar no psiquiatra também porque o cardio falou que eu estava com estafa mental, que eu estava quase entrando no burnout e ele me afastou durante uma semana”, contou a professora de Língua Portuguesa, Patrícia Amorim.
A realidade retratada aconteceu com a professora Patrícia durante o período da pandemia. O caso, no entanto, não é isolado. Ele reflete uma situação que tem se repetido com frequência entre os professores. Mais de 25.000 licenças médicas foram concedidas a professores da rede estadual de São Paulo por transtornos mentais e comportamentais neste ano. É o que revela o levantamento do Centro do Professorado Paulista. Na prática, entre janeiro e setembro, 95 docentes foram afastados por dia.
“Hoje nós temos o professor trabalhando sob pressão. A comunidade também não está respeitando o professor como deveria. Tudo isso vai repercutindo e vai trazendo intranquilidade pro professor”, explicou o presidente do Centro do Professorado Paulista, Silvio dos Santos Martins.
Segundo os professores, o acúmulo de atividades e de responsabilidades também torna o exercício da profissão ainda mais desgastante. “A cada novo ciclo, que entra, a gente tem adentrado outros afazeres àquilo que é o fazer docente, que obviamente eles exigem de nós, mais saúde mental”, afirmou o professor, Douglas Rodrigues da Silva.
“Quando a gente junta ansiedade, depressão, estresse é a principal causa de afastamento em todas as categorias profissionais. Tem um excesso de demanda, tem uma cobrança excessiva por resultado e é uma cobrança dos pais, uma cobrança dos alunos, uma cobrança da própria escola. Os professores relatam 50% mais chance de estresse do que qualquer outra categoria profissional”, apontou, da Associação Paulista de Psiquiatria, Renata Figueiredo.
Diante desse cenário, o Centro do Professorado Paulista tem ampliado ações de assistência psicológica voltada aos docentes. “Depois desse levantamento, de verificarmos a situação do professor, nós estamos trabalhando nesse sentido, de oferecer o apoio psicológico”, explicou Silvio.
“Então, a saúde mental do professor, ela não é só importante para o professor ou pra escola, ela é importante para os alunos, é importante para a sociedade. Então, é um investimento importantíssimo”, concluiu Renata.




