Natal: Amor de mãe

Amor de mãe

“Nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho.” (Is 9,5a). Príncipe da paz, Pai da eternidade, Senhor de todos os tempos. Assim é chamado o menino Deus que quis nascer para nós; muito mais do que receber presente é preciso ser presente, tornar-se um com o outro, esse é o verdadeiro significado do Natal.

Não há tristeza maior do que se esquecer do verdadeiro significado do Natal. Para muitos, ele é deixado de lado e mais uma vez é visto como uma festa qualquer onde todos comem e bebem. Longe de casa, de tudo e de todos depois de passar muitos natais em meio a festas e bebidas, Fernando Leal, 27, teve a oportunidade de fazer diferente. “Cansei de passar o Natal ‘quebrando a cara’ por causa da bebida e de decepções. Minha vida sempre foi de altos e baixos, sempre me virei sozinho, mas tem uma hora que você precisa da família”. Para quem cresceu sem saber o que era um abraço de um pai ou uma mãe – não por maldade, mas também por que eles não foram criados assim – é difícil chegar a esta conclusão.

Muitas vezes buscamos algo sem saber o que é e nesta busca desenfreada nos perdemos em meio aos arrependimentos e decepções, elas se tornam barreiras que muitas vezes nos impedem de caminhar, mesmo sabendo que no fundo somos capazes, ficamos presos a isso e, cada vez mais, vamos perdendo o controle. “Eu deixei a depressão me abater de uma tal maneira que chegou um tempo que eu não tinha mais controle sobre ela, e principalmente sobre o que eu estava fazendo”, diz Fernando.

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O verdadeiro sentido do Natal traz em sim um forte desejo de união. O Menino que nasceu para todos é o grande responsável por esse sentimento. Por sete anos Fernando ficou distante de casa, durante todo esse tempo ficou longe da mãe.

Eliana Leal, 43, mãe do Fernando, por muitas vezes ouviu que seu filho estava morto. A angustia que no passado insistia em entrar no seu coração nunca foi maior do que sua esperança e a certeza que ela tinha de encontrar o filho vivo. Mal sabia ela que 32,5 km era o que a separava dele.

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Eliana conta que um dia Fernando simplesmente apareceu em sua casa, mas que não a encontrou e foi embora novamente. Depois, ela recebeu uma ligação de Fernando dizendo que estava em Emaús, na cidade de Cachoeira Paulista (SP), e que queria que ela fosse passar o Natal com ele.

A mãe, moradora da cidade de Guaratinguetá (SP), apesar da distância e das dificuldades vividas, não pensou duas vezes para ir ao encontro do filho. Depois da viagem, o cansaço e a fome eram insignificantes comparados ao desejo de vê-lo. Quieta e sem demonstrar muito o que sentia naquele momento, Eliana buscava apenas aproveitar cada minuto ao lado do Filho. “Para mim ele não cresceu. Ele é forte, meu filho é corajoso!” diz ela.

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Fernando teve um caminho muito atribulado, mas apesar das quedas, ele teve seus momentos de vitórias. Apesar de estar distante, o rapaz tem uma filha de dez anos, ele traz em seu coração o desejo de ser um bom pai, na tentativa de evitar para a criança o que aconteceu com ele.

Há dois meses Fernando chegou à comunidade Emaús e jamais poderia imaginar tudo o que estava por vir. Ao entender a importância que tem a presença e o carinho de um pai e uma mãe, Fernando entende de onde lhe vem a força que o impediu de caminhar, seus pais lhe ensinaram o que ninguém mais poderia ensinar: “você necessita do pai e da mãe ao lado, porque eles são as duas forças que você tem na vida”.

Presente em mais de 40 países, o movimento Emaús chegou ao Brasil em 1986, trazido pelo Padre Henri Le Boursicaud. O primeiro grupo foi criado na cidade de Cachoeira Paulista (SP), onde, atualmente, acolhe mais de 20 homens, entre eles andarilhos, dependentes químicos e alcoólatras.

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