Homilia

Papa pede prudência e obediência no fim da quarentena

“Rezemos ao Senhor para que dê a seu povo, a todos nós, a graça da prudência e da obediência às disposições, para que a pandemia não volte”, disse Francisco na Missa desta terça-feira, 28

Da redação, com Vatican News

Papa durante Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano/ Foto: Vatican Media

O Papa Francisco presidiu a Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano, na manhã desta terça-feira, 28, da III Semana da Páscoa. Na introdução, pensou no comportamento do povo de Deus diante do fim da quarentena: “Neste tempo, no qual se começa a ter disposições para sair da quarentena, rezemos ao Senhor para que dê a seu povo, a todos nós, a graça da prudência e da obediência às disposições, para que a pandemia não volte”.

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Na homilia, o Pontífice comentou a passagem do dia do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 7,51-8,1a), em que Estêvão fala com coragem ao povo, aos anciãos e aos doutores da lei que o julgam com falsos testemunhos, arrastam-no para fora da cidade e o apedrejam. Também com Jesus fizeram o mesmo – afirmou o Santo Padre –, buscando convencer o povo de que era um blasfemo. É uma brutalidade partir de falsos testemunhos para “fazer justiça”: notícias falsas, calúnias, que esquentam o povo para “fazer justiça”, é um verdadeiro linchamento, alertou.

Ao se referir ao linchamento, o Papa afirmou que foi o que fizeram com Estêvão, usando um povo que foi enganado, e é o que acontece com os mártires de hoje, como Asia Bibi, durante tantos anos no prisão, julgada por uma calúnia. Diante da avalanche de notícias falsas que criam opinião, às vezes não se pode fazer nada, comentou Francisco.

Penso no Holocausto, disse o Papa: foi criada uma opinião contra um povo para eliminá-lo. Há ainda o perigo do linchamento diário que busca condenar as pessoas, criar uma má fama, o pequeno linchamento diário do mexerico que cria opiniões para condenar as pessoas. A verdade, ao invés, é clara e transparente, é o testemunho do verdadeiro, daquilo em que se crê. Pensemos em nossa língua: muitas vezes, com nossos comentários iniciamos um linchamento desse tipo. Também em nossas instituições cristãs vimos muitos linchamentos diários que nasceram dos mexericos. Rezemos ao Senhor – foi a sua oração conclusiva – para que nos ajude a sermos justos em nossos julgamentos, a não começar ou seguir essa condenação maciça que o mexerico provoca.

Íntegra da homilia

Na primeira Leitura destes dias ouvimos o martírio de Estêvão: uma coisa simples, como aconteceu. Os doutores da Lei não toleravam a clareza da doutrina e, como saída, foram pedir a alguém que dissessem que tinham ouvido que Estêvão blasfemava contra Deus, contra a Lei. E depois disso caíram em cima dele e o apedrejaram: simples assim. É uma estrutura de ação que não é a primeira: também com Jesus fizeram o mesmo. O povo que estava ali, buscou convencer de que era um blasfemo e eles gritaram: “Crucifica-o”. É uma brutalidade. Uma brutalidade, partir de falsos testemunhos para se chegar a “fazer justiça”. Este é o esquema. Também na Bíblia há casos desse tipo: fizeram o mesmo com Susana, fizeram o mesmo com Nabot, depois Amã procurou fazer o mesmo com o povo de Deus… Notícias falsas, calúnias que esquentam o povo e pedem a justiça. É um linchamento, um verdadeiro linchamento.

E assim, levam ao juiz, para que o juiz dê forma legal a isso: mas já está julgado, o juiz deve ser muito, muito corajoso para ir contra um julgamento tão popular, feito de propósito, preparado. É o caso de Pilatos: Pilatos viu claramente que Jesus era inocente, mas viu o povo, lavou as mãos. É um modo de fazer jurisprudência. Também hoje vemos isso: também hoje está em andamento, em alguns países, quando se quer fazer um golpe de Estado ou excluir algum político para que não participe das eleições, ou assim, se faz o seguinte: notícias falsas, calúnias, depois cai num juiz daqueles que gostam de criar jurisprudência com este positivismo “da situação” que está na moda, e depois condena. É um linchamento social. E assim foi feito com Estêvão, assim foi feito o julgamento de Estêvão: levaram para julgar alguém que já tinha sido julgado pelo povo enganado.

Isso acontece também com os mártires de hoje: que os juízes não têm a possibilidade de fazer justiça porque já foram julgado. Pensemos em Asia Bibi, por exemplo, que vimos: dez anos na prisão porque foi julgada por uma calúnia e um povo que quer a sua morte. Diante dessa avalanche de notícias falsas que criam opinião, muitas vezes não se pode fazer nada: não se pode fazer nada.

Penso muito, nisso, no Holocausto. O holocausto é um caso desse tipo: foi criada a opinião contra um povo e depois era normal: “Sim, sim: devem morrer, devem morrer”. Um modo de proceder para eliminar as pessoas que incomodam, que atrapalham.

Todos sabemos que isso não é bom, mas o que não sabemos é que existe um pequeno linchamento diário que busca condenar as pessoas, criar um má fama nas pessoas, descartá-las: o pequeno linchamento diário do mexerico que cria uma opinião. Muitas vezes uma pessoa ouve se difamar alguém, e diz: “Mas não, essa pessoa é uma pessoa justa!” – “não, não: se diz que…”, e com aquele “se diz que” se cria uma opinião para acabar com uma pessoa. A verdade é outra: a verdade é o testemunho do verdadeiro, das coisas em que uma pessoa crê; a verdade é clara, é transparente. A verdade não tolera as pressões. Vejamos Estêvão, mártir: primeiro mártir depois de Jesus. Primeiro mártir. Pensemos nos apóstolos: todos deram testemunho. E pensemos em tantos mártires que – também de hoje, São Pedro Chanel – que foi o mexerico ali, a inventar que era contra o rei… se cria uma fama, e se deve matar. E pensemos em nós, em nossa língua: nós muitas vezes, com nossos comentários, iniciamos um linchamento desse tipo. E em nossas instituições cristãs vimos muitos linchamento diários que nasceram do mexerico.

Que o Senhor nos ajude a ser justos em nossos juízos, a não começar ou seguir essa condenação maciça que o mexerico provoca.

Adoração e  bênção eucarística

O Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística, convidando a fazer a Comunhão espiritual. A seguir, a oração recitada pelo Papa: “Aos vossos pés, ó meu Jesus, me prostro e vos ofereço o arrependimento do meu coração contrito que mergulha no seu nada na Vossa santa presença. Eu vos adoro no Sacramento do vosso amor, a inefável Eucaristia. Desejo receber-vos na pobre morada que meu coração vos oferece; à espera da felicidade da comunhão sacramental, quero possuir-vos em Espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, que eu venha a vós. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte. Creio em vós, espero em vós. Amo-vos. Assim seja”.

Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo foi entoada a antífona mariana “Regina caeli”, cantada no tempo pascal: “Rainha dos céus, alegrai-vos. Aleluia! Porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio. Aleluia! Ressuscitou como disse. Aleluia! Rogai por nós a Deus. Aleluia! D./ Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria. Aleluia! C./ Porque o Senhor ressuscitou, verdadeiramente. Aleluia!”.

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