Homilia

A esperança deve ser o ar que o cristão respira, exorta Papa

Francisco dedicou a homilia desta terça-feira, 29, à esperança: “A esperança é humilde, é uma virtude que deve ser trabalhada”

Da redação, com Vatican News

Papa Francisco durante Missa desta terça-feira, 29/ Foto: Vatican Media

O Papa Francisco celebrou a missa na capela da Casa Santa Marta na manhã desta terça-feira, 29. Em sua homilia, o Pontífice utilizou a frase “a esperança é como lançar a âncora até a outra margem”, para exortar os fiéis a viverem “em tensão” rumo ao encontro com o Senhor. O Santo Padre alertou que quem não vive “em tensão” acaba corrompido e a vida cristã corre o risco de se tornar uma “doutrina filosófica”.

A reflexão partiu da Primeira Leitura da Liturgia de hoje, extraída da carta de São Paulo aos Romanos (Rm 8,18-25), na qual o Apóstolo “canta um hino à esperança”. Francisco afirmou que certamente, “alguns romanos” foram se lamentar e Paulo os exortou a olhar avante: “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós”.

O Papa falou depois da Criação “propensa” à “revelação”: “Esta é a esperança: viver voltados para a revelação do Senhor, para aquele encontro com o Senhor”. A esperança é, de acordo com o Pontífice, “como lançar a âncora até a outra margem” e agarrar-se à corda. O Santo Padre destacou que não somente a humanidade, mas toda a Criação “na esperança será libertada”, entrará na glória dos filhos de Deus. 

Leia mais
.: O espírito de cansaço nos tira a esperança, diz Papa em homilia
.: O Espírito Santo é o reconstrutor da esperança, diz Papa

A esperança é este viver em tensão, explicou Francisco. “Se um cristão perde esta perspectiva, a sua vida se torna estática e as coisas que não se movem, se corrompem. Pensemos na água: quando a água está parada, não corre, não se move, se corrompe. Um cristão que não é capaz de ser propenso, de estar em tensão pela outra margem, falta alguma coisa: acabará corrompido. Para ele, a vida cristã será uma doutrina filosófica, viverá assim, dirá que é fé, mas sem esperança”, completou.

O Papa afirmou que é difícil entender a esperança. Ao falar de fé, homens e mulheres afirmam que ela se refere à fé em Deus que criou o mundo, em Jesus que redimiu a humanidade e a recitação do Creio, pois são coisas concretas sobre a fé. Ao falar de caridade, logo se destaca o fazer o bem ao próximo, aos outros, às muitas obras de caridade que se fazem ao outro. Mas a esperança, segundo o Pontífice, é difícil de compreender: “é a mais humilde das virtudes”, que “somente os pobres podem ter”:

“Se quisermos ser homens e mulheres de esperança, devemos ser pobres, pobres, não ligados a nada. Pobres. E abertos para a outra margem. A esperança é humilde, é uma virtude que deve ser trabalhada – digamos assim – todos os dias: todos os dias é preciso retomá-la, todos os dias é preciso tomar a corda e ver que a âncora está ali fixa e eu a seguro pela mão; todos os dias é necessário recordar que temos o penhor, que é o Espírito que trabalha em nós com pequenas coisas”.

/ Foto: Vatican Media

A esperança é a virtude que não se vê

Para explicar como viver a esperança, o Papa fez referência ao ensinamento de Jesus no trecho do Evangelho desta terça-feira, 29, quando compara o Reino de Deus ao grão de mostarda lançado no campo: “Vamos esperar que cresça, não precisa ir lá todos os dias para ver como está, caso contrário nunca crescerá”, afirmou Francisco, referindo-se à “paciência”. “[Como diz Paulo], a esperança necessita de paciência. É a paciência de saber que nós semeamos, mas é Deus a fazê-lo crescer”.

A esperança é artesanal, pequena, prosseguiu o Santo Padre: “É semear um grão e deixar que seja a terra a fazê-la crescer”. No Evangelho de hoje, para falar de esperança, Jesus usa também a imagem do “fermento” que uma mulher pegou e misturou com três porções de farinha. “Um fermento não mantido na geladeira, mas ‘misturado na vida’, assim como o grão é enterrado sob a terra”, encorajou o Pontífice.

Leia também
.: Esperar contra toda esperança, pede Papa na catequese

.: Cuidar dos idosos e jovens é cultura da esperança, diz Papa em homilia

“Por isso, a esperança é uma virtude que não se vê: trabalha por debaixo; nos faz olhar por debaixo. Não é fácil viver na esperança, mas eu diria que deveria ser o ar que um cristão respira, ar de esperança; do contrário, não poderá caminhar, não poderá ir avante porque não saberá aonde ir. A esperança – isto sim é certo – nos dá uma segurança: a esperança não desilude. Jamais. Se você espera, não será desiludido. É preciso abrir-se a esta promessa do Senhor, voltados para aquela promessa, mas sabendo que existe o Espírito que trabalha em nós. Que o Senhor nos dê, a todos nós, esta graça de viver em tensão, em tensão mas não para os nervos, os problemas, não: em tensão pelo Espírito Santo que nos lança para a outra margem e nos mantêm na esperança”, concluiu.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo