Viagem Apostólica

"Com Jesus, o mal nunca triunfa", diz Papa em Missa no Congo

Na missa celebrada no Aeroporto de N’dolo, em Kinshasa, na República Democrática do Congo, Francisco desejou aos congoleses: “A paz esteja convosco!”

Da redação, com Vatican News

Foto: REUTERS/Yara Nardi

O Papa Francisco celebrou a missa pela paz e a justiça no Aeroporto de N’dolo, em Kinshasa, na República Democrática do Congo, na manhã desta quarta-feira, 1°. A celebração estava na programação da sua 40ª Viagem Apostólica Internacional e contou com a participação de cerca de um milhão de fiéis.

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Francisco proferiu a palavra “esengo” que significa alegria, para manifestar seu sentimento ao encontrar os congoleses. “Desejei muito este momento. Obrigado por terdes vindo aqui”, disse.

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A paz esteja convosco

O Santo Padre iniciou sua homilia comentando sobre o Evangelho do dia, que destaca a alegria dos discípulos na tarde de Páscoa, e como esta alegria brotou ao “verem o Senhor”. Naquele clima de alegria e maravilha, o Pontífice recordou que o Ressuscitado falou aos seus e lhes disse: “A paz esteja convosco!”.

Segundo o Papa, trata-se de uma saudação, mas é mais do que uma saudação: é um dom. “Porque a paz, aquela paz anunciada pelos anjos na noite de Belém, aquela paz que Jesus prometeu deixar aos seus, é agora, pela primeira vez, entregue solenemente aos discípulos. Jesus proclama a paz enquanto no coração dos discípulos existem os escombros, anuncia a vida enquanto eles sentem dentro a morte. Assim faz o Senhor: surpreende-nos, estende-nos a mão quando estamos prestes a afundar, levanta-nos quando tocamos o fundo”.

O mal nunca triunfa

Com Jesus o mal nunca triunfa, nunca tem a última palavra, afirmou Francisco. “Com efeito, Ele é a nossa paz, e a sua paz vence. Por isso nós que pertencemos a Jesus, não podemos deixar prevalecer em nós a tristeza, não podemos permitir que se insinuem resignação e fatalismo”, disse ainda.

“Se ao nosso redor se respira este clima, que não seja por nossa causa: num mundo desanimado com a violência e a guerra, os cristãos fazem como Jesus. Ele, como que insistindo, repetiu para os discípulos: A paz esteja convosco! E nós somos chamados a assumir e proclamar ao mundo este inesperado e profético anúncio de paz”, prosseguiu.

Na sequência, o Santo Padre indicou “três nascentes de paz”, “três fontes” para continuar a alimentá-la: o perdão, a comunidade e a missão.

Perdão

Sobre a primeira fonte, o perdão, o Pontífice comentou que ela nasce das feridas, quando as feridas sofridas não deixam cicatrizes de ódio, mas tornam-se o lugar onde se dá espaço aos outros acolhendo as suas debilidades:

“Então as fragilidades tornam-se oportunidades, e o perdão torna-se o caminho da paz. Não se trata de esquecer tudo como se nada fosse, mas de abrir aos outros o próprio coração com amor. Irmãos, irmãs, quando a culpa e a tristeza nos oprimem, quando as coisas não correm bem, sabemos para onde olhar: para as chagas de Jesus, pronto a perdoar-nos com o seu amor ferido e infinito”.

Francisco reforçou que Jesus conhece as feridas de cada pessoa, país e povo. “São feridas que ardem, continuamente infetadas pelo ódio e a violência, enquanto o remédio da justiça e o bálsamo da esperança parecem nunca mais chegar. É isto que Cristo deseja: ungir-nos com o seu perdão, para nos dar a paz e a coragem de por nossa vez perdoar, a coragem de realizar uma grande amnistia do coração. Faz-nos tão bem limpar o coração da ira, dos remorsos, de todo o rancor e ódio! Que seja o momento propício para ti, que, neste país, te dizes cristão e, todavia, praticas a violência; a ti diz o Senhor: ‘Depõe as armas, abraça a misericórdia'”.

Comunidade

Depois, o Papa falou sobre a segunda fonte da paz: a comunidade. O Pontífice lembrou que Jesus ressuscitado confia a sua paz à primeira comunidade. “Não há cristianismo sem comunidade, tal como não há paz sem fraternidade”, sublinhou.

“E qual é o caminho para não cair nas ciladas do poder e do dinheiro, para não ceder às divisões, às lisonjas do carreirismo que corroem a comunidade, às falsas ilusões do prazer e da feitiçaria que nos encerram em nós mesmos?”, perguntou Francisco. A resposta, de acordo com ele, é dada através do profeta Isaías, que diz: “Estou com os oprimidos e humilhados, para reanimar o espírito dos humilhados e reanimar o coração dos oprimidos”.

O caminho é partilhar com os pobres, indicou o Santo Padre. Segundo ele, este é o melhor antídoto contra a tentação de dividir e mundanizar a humanidade. O Santo Padre indicou que é preciso ter a coragem de olhar para os pobres e escutá-los porque são membros da comunidade, e não estranhos que devem ser abolidos da vista e da consciência.

“Abrir o coração aos outros, em vez de o fechar nos próprios problemas ou nas próprias vaidades. Recomecemos dos pobres e descobriremos que todos compartilhamos a pobreza interior; que todos precisamos do Espírito de Deus para nos libertar do espírito do mundo; que a humildade é a grandeza do cristão, e a fraternidade a sua verdadeira riqueza. Acreditemos na comunidade e, com a ajuda de Deus, edifiquemos uma Igreja vazia de espírito mundano e cheia de Espírito Santo, livre de riquezas para nós mesmos e repleta de amor fraterno!”

Missão

Por fim, o Papa comentou sobre a terceira fonte da paz: a missão. Ele sublinhou que Jesus disse aos discípulos: “Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós”. “Numa palavra, enviou-O para todos: não só para os justos, mas para todos”, indicou.

“Irmãos, irmãs, somos chamados a ser missionários de paz, e isto nos encherá de paz. Trata-se duma opção: é dar espaço a todos no coração, é acreditar que as diferenças étnicas, regionais, sociais e religiosas vêm em segundo lugar e não são obstáculo; que os outros são irmãos e irmãs, membros da mesma comunidade humana; que cada um é destinatário da paz trazida ao mundo por Jesus. É acreditar que nós, cristãos, somos chamados a colaborar com todos, a romper a espiral da violência, a desmantelar os enredos do ódio”, exortou.

Enviados por Cristo, Francisco frisou que os cristãos são chamados, por definição, a ser consciência de paz no mundo: não só consciências críticas, mas sobretudo testemunhas de amor; não pretendentes dos próprios direitos, mas dos do Evangelho, que são a fraternidade, o amor e o perdão; não indivíduos à procura dos próprios interesses, mas missionários daquele amor louco que Deus tem por cada um.

“A paz esteja convosco: diz Jesus hoje a cada família, comunidade, etnia, bairro e cidade deste grande país. A paz esteja convosco: deixemos que ressoem no coração, em silêncio, estas palavras de nosso Senhor. Ouçamo-las dirigidas a nós e escolhamos ser testemunhas de perdão, protagonistas na comunidade, pessoas em missão de paz no mundo”, concluiu.

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