Entrevista

O Brasil está livre de furacões?

Muitos brasileiros perguntam-se sobre a possibilidade de surgirem furacões no país, especialmente, diante do crescente número destes fenômenos climáticos em várias partes do mundo.

O Haiti, por exemplo, tem sido afetado pelos furacões Hanna e Ike, que já mataram mais de 300 pessoas. Na Índia o ciclone tropical Nargis também já causou muitas vítimas.

Para esclarecer este assunto, nossa equipe entrevistou o pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, em Cachoeira Paulista, SP, Dr. José Marengoum, que esclarece: "o Brasil não apresenta as condições necessárias para desenvolver furacões".

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: O que é considerado um furacão?

Dr. José Marengo: A nível mundial, o mesmo fenômeno é conhecido com nomes diferentes: 'Furacões', no Pacífico Leste perto do México e na região do Atlântico Tropical Norte-Golfo do México, 'tufões', no sudeste da Ásia e 'ciclones tropicais' na Índia e Austrália. Na evolução, para chegar a ser furacão (que vão de categoria 1 a 5), primeiro tem que passar pela etapa de depressão tropical, depois para tempestade tropical (onde já passa a ter um nome), e depois um furacão. O Furacão Ike até hoje está na categoria 2, e neste ano, já tivemos Arthur, Bertha, Cristobal, Dolly, Edouard, Fay, Gustav, Hanna, Ike e Josephine, que ainda está na fase de tempestade tropical. Destes não tivemos furacão categoria 5. Em 2005, nesta época do ano, já tínhamos os furacões Katrina e Wlima, categoria 5.

noticias.cancaonova.com: O que isenta o Brasil destes acontecimentos?

Dr. José Marengo: Os furacões não acontecem na região próxima a linha do equador, pois a rotação da terra pode destruir a rotação do furacão. É como um suco de maça feito no liquidificador. Ao ligar o aparelho, as facas giram e cortam a fruta. Se o sentido das facas fosse invertido por alguns segundos, o suco deixaria de girar. Um furacão que nasce no hemisfério norte não pode cruzar a linha equatorial e chegar ao Brasil, pois o sentido da rotação da terra, oposto, faria o furacão morrer.

O Brasil não apresenta condições necessárias para o desenvolvimento de furacões: águas com temperaturas superficiais maiores de 28º C e cisalhamento vertical do vento fraco e convergência de umidade na superfície (todos estes juntos).

Outros mecanismos podem ajudar a formar centros de baixa pressão, por exemplo, um fluxo derivado de uma frente fria no sul do Brasil. Isso pode crescer e gerar um sistema com força e características de um furação, mas, que, no entanto, não é.

Furação é um termo que só se aplica na região tropical. O Catarina, em março de 2004, foi erroneamente chamado de furacão, pois, o sul do Brasil não é uma região tropical. Foi, na verdade, um ciclone extratropical. Nem todo vento forte é furacão. Portanto, o que pode acontecer no Brasil são fenômenos como este, ou seja, ciclones extratropicais, mas não furacões como aqueles que se desenvolvem no Golfo do México, América Central e Caribe.

noticias.cancaonova.com: O que causa os furacões e as tempestades?

Dr. José Marengo: Todos são centros de baixa pressão e se estes se intensificarem, alimentados pela energia devido a evaporação de oceanos mais quentes e com um cisalhamento vertical fraco, podem evoluir para uma tempestade tropical (quando já adquirem um nome), e, depois, para um furacão.

As tempestades de furacões são fenômenos necessários, pois, representam uma forma de liberação de energia do sistema terra atmosfera. Sem eles, o clima experimentaria uma mudança radical. Ou seja, precisamos dos furacões para manter o clima do planeta agradável para o ser humano. O homem deve se adaptar à presença dos mesmos, não construindo cidades nas áreas susceptíveis a presença de furacões.

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