Santa da Caridade

Livro revela a “noite escura” que viveu Madre Teresa de Calcutá

Há 10 anos da morte de Madre Teresa de Calcutá, será publicado em setembro uma coletânea de cartas que a beata escreveu em sua longa e profunda aridez espiritual.

Madre Teresa sentiu um "vazio" como qualquer humano e as cartas que ela trocou com colegas demonstram sua humildade, disse o Arcebispo de Calcutá, Dom Lucas Sircar, onde a freira passou a maior parte de sua vida. Segundo ele, “Todo mundo em determinado momento da vida sente algum tipo de vazio ou escuridão".

O livro intitulado “Mother Teresa: come be my light” (Madre Teresa: Venha e seja minha luz), que reúne estas cartas foi compilado pelo Padre Brian Kolodiejchuk, postulador da causa de canonização da religiosa.

.: Poema de São João da Cruz – Noite Escura

Pessoas que conviveram com a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1979 disseram que ela superou "vazios" e "dúvidas" e manteve o anúncio do Evangelho de Cristo e o amor aos pobres até morrer, em 1997, aos 87 anos.

“Há tanta contradição em minha alma, um profundo desejo de Deus, tão profundo que faz mal; um sofrimento contínuo e com isso o sentimento de não ser querida por Deus, vazia, sem fé, sem ânimo, sem zelo…”, dizem as palavras de Madre Teresa em um dos trechos do livro.

Mas o que é esta “noite escura do espírito” que viveu essa santa da caridade? Padre Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia, responde:

“É algo que é muito presente na tradição cristã; talvez novo e inédito na forma que viveu Madre Teresa, porque enquanto “a noite escura do espírito” de São João da Cruz é um período preparatório para aquele que se chama “unitivo”, para Madre Teresa parece que tenha sido um período estável. A partir de um certo momento da sua vida, quando começou esta grande obra de caridade até o fim. Ao meu parecer, também o fato deste prolongamento da “Noite Escura” tem um significado para nós hoje. Creio que Madre Teresa seja a santa da era mediática, porque esta “noite do espírito” a protegeu de tornar-se vítima da mídia, isto é, do exaltar-se…  de fato ela mesmo dizia, que diante das maiores honras e clamores da imprensa, ela não sentia exatamente nada porque vivia esse vazio interior. Portanto, era uma espécie de “proteção”, para atravessar a era da mídia”.

Perguntado sobre a repercussão do livro, Padre Cantalamessa disse não acreditar que será mal interpretado, e acredita que "com o mínimo de comentário, dando coordenadas mínimas para inserir este fenômenos, o livro produzirá um bem imenso".

O livro deve ser lançado no dia 4 de setembro.

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