Testemunhos e formação

Igreja acolhe separados e casais de segunda união com grande amor

Com um amor ainda maior, a Igreja Católica vem acolhendo os separados e os casais de segunda união, reconhecendo que o divórcio é sempre uma situação dolorosa para o casal e para toda família.

Na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, o então Papa João Paulo II, destaca que os casais de segunda união, assim como os separados, devem participar das atividades da Igreja.

“Eles devem se sentir felizes. Eles são convidados a ouvir a Palavra de Deus, frequentar a Missa, participar das obras de caridade, das atividades paroquiais e educar os filhos de acordo com a fé cristã”, enfatiza padre Luciano Scampini, em referência a Familiaris Consortio.

.: Ouça: Entrevista do Padre Luciano Scampini sobre segunda união

O membro da Pontifícia Academia para a Vida, doutor Mounir Farag, explica que a Igreja vê estas pessoas e as acolhe com um amor ainda maior. “A Igreja ama estas pessoas, as acolhe, as sustenta talvez mais do aquelas pessoas que já ama, as ajuda e as assiste”, salienta o membro do Vaticano.

Entendendo a nova situação

Separada há seis anos, Anna Teresa Coelho, tem participado de encontros especiais que a tem ajudado a compreender o momento que está vivendo, redescobrindo sua dignidade e autoestima.

“Ninguém entra num casamento pensando que pode não dar certo, especialmente quem tem isso como valor cristão. Quando você vê romper tudo aquilo que você, como cristã, acreditou que poderia, diante de Deus, dar certo, é difícil lidar com esta nova situação”, conta Anna Teresa Coelho.

Para os separados que iniciam uma nova união, os encontros são momentos para redescobrir o amor da Igreja e sentir o abraço de Deus.

Independente da condição civil, padre Scampini salienta que os casais de segunda união e os separados fazem parte da Pastoral Familiar  e devem participar das atividades da Igreja.

“Em nossa paróquia nos sentimos muito acolhidos. Nosso bispo e nosso pároco nos recebem de braços abertos. Vamos à Missa e participamos da Pastoral Familiar em duas equipes: da Segunda União e do Terço. Este engajamento é muito importante para nós, pois uma família sem Deus sofre mais com as dificuldades do dia-a-dia e com a Luz do Espírito Santo podemos clarear nossos problemas e nossas dúvidas. E essa luz nós encontramos na Igreja, nas homilias, nos encontros com outros casais, nas trocas de experiências, na oração etc. Vamos à Missa, pois, amamos de todo nosso coração, a Deus e a Igreja”, salienta Elaine Nuci.

 

Arquivo Pessoal
Dr. Mounir Farag, membro da Pontifícia Academia para a Vida, salienta que a Igreja com misericórdia acolhe os separados

Sacramentos

Uma dor muito grande para os separados é não poder receber a Comunhão Eucarística, pois a Igreja não pode deixar de reconhecer a falta. “Eu sei que esta questão de não poder receber o Sacramento da Comunhão é uma dor. Mas se eu cometo um erro ou um pecado sou eu que não vou receber o sacramento. A mesma coisa no caso deles. A Igreja os ama, os acolhe mais do que aqueles que talvez não tenham feito isto; não concede a eles o sacramento porque foram eles que com aquela atitude ou aquele gesto vão contra um ensinamento”, explica o membro do Vaticano.

Portanto, a Igreja, como mãe misericordiosa, de um lado não aceita dar-lhes o sacramento, mas, por outro lado, oferece apoio integral para que eles se sintam até mais amados e mais sustentados do que aqueles que não passaram por esta situação dolorosa.
 
“Nós vemos de uma forma muito clara, ao mesmo tempo, temos a consciência de que a palavra determina que aquilo que 'Deus une o homem não separa' e sendo esse o entendimento da Igreja, percebemos também em nossa comunidade um acolhimento da nossa situação, conta Luís Otávio Nunes Cardoso.

Para Luís Otávio, que vive numa segunda união, é essencial viver um estilo de vida cristão com sua família, participando da Santa Missa, ainda que sem receber a comunhão e escutando a Palavra de Deus. A adoração eucarística, a oração, o apoio da comunidade, as obras de penitência, a dedicação ao serviço da caridade e o diálogo franco com seu pároco têm ajudado Luís na educação de sua filha Luísa.

“A importância disso tudo está no reconhecimento e aprofundamento da necessidade que temos de uma identidade religiosa e no compromisso que temos com a Igreja. Acreditamos que nossa participação na Igreja, respeitando seus princípios e práticas, nos fortalece para que sejamos obedientes e disciplinados na certeza de que, apesar de tudo, buscamos o Céu através da misericórdia do nosso Senhor Jesus Cristo”, reforça Luís Otávio.

Os filhos depois da separação

A separação também é dolorosa para os filhos. Por isso, doutor Mounir Farag salienta que os pais devem se amar e se respeitar ainda mais pelos filhos, sendo para eles testemunho no amor de Cristo.

“Cada um de nós deve se basear na regra de ouro, no ensinamento de Jesus, 'Amai-vos uns aos outros como eu os amei', portanto, marido e mulher devem fazer ao outro aquilo que gostaria de fizessem a eles. Esta regra de ouro, que também vale para quem não é cristão, é aquela de perdoar, ter muita misericórdia para com o outro, colocar-se no lugar do outro e não julgar”, destaca.

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.: NA ÍNTEGRA: Especialista do Vaticano fala sobre segunda união

O membro da Pontifícia Academia para a Vida salienta que é importante o acompanhamento psicológico e espiritual para que o casal separado se perdoe mutuamente e viva bem com os filhos.

“Diante dos filhos, deve-se irradiar todo o positivo que os pais sentem e perdoar das coisas negativas. Devemos colocar na nossa cabeça que os filhos psicologicamente e emotivamente têm necessidade dos dois. Existe a semelhança entre homem e mulher, mas também belíssimas diversidades no âmbito psicológico, emotivo, fisiológico, etc. Sendo assim, um filho ou uma filha tem necessidade dos dois”, enfatiza.

Quando surgem os filhos da segunda união, os filhos da primeira união não devem se sentir inferiores e nem ver a imagem do pai ou da mãe destruída.

“Quando os pais colocam em relevância o perdão, misericórdia e também confessando que tem limites, que todos nós erramos, os filhos veem que estes pais continuam a querer bem um para o outro e dão este belo testemunho, os filhos, por consequência, continuarão a acreditar. Vejo que os filhos desta nova geração não acreditam [no amor e no casamento], porque veem tudo ao contrário disto. Os pais ficam nos tribunais e fora dos tribunais a tratarem-se mal, agredindo-se mutuamente , blasfemando um contra o outro… Desta forma, os filhos não acreditarão”, reforça Mounir Farag.

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