Terra Santa

Encontro dos Focolares reúne judeus, muçulmanos e cristãos

Levar o carisma da paz e unidade ao mundo. A espiritualidade do Movimento dos Focolares, nasceu em Trento durante a Segunda Guerra Mundial. Hoje, ela existe em mais de 180 países. Num vilarejo, ao norte de Israel, os missionários focolarinos se reuniram com fiéis de diferentes religiões.

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Um encontro realmente histórico: cristãos, não somente católicos, judeus e muçulmanos reunidos para participar de quatro dias de aprofundamento sobre o diálogo – a Mariápolis, promovida pelos Focolares, movimento de inspiração cristã, fundado por Chiara Lubich na Itália, com o carisma de promover a unidade e a fraternidade universal.

O encontro foi em árabe, com tradução simultânea para o italiano, inglês e hebraico.

"Ver pessoas tão diferentes que não se conheciam falando da própria vida, das próprias dores com tanta sinceridade, já foi um grande milagre, fiquei emocionada, porque em geral não se abrem assim ao outro, pensam que não lhe querem bem", disse Margaret Karram.

Ela conta que cresceu em Haifa "onde se vive bem junto, mas há 20 anos estou em Jerusalém, uma outra atmosfera, onde se sente mesmo a divisão. Por isso, ver tudo isso, me trouxe uma alegria muito grande, uma fé potente de que só o amor pode trazer uma mudança de mentalidade, de coração, e fazer com que o homem novo venha, só o amor é o remédio".

Mais de 200 participantes, vindos de Haifa, Ramalla, Jerusalém e Egito além de 24 palestinos de Belém, que conseguiram permissão para deixar o território e um grupo de jovens italianos, que encerraram a peregrinação à Terra Santa participando do evento.

A importância do diálogo nos vários âmbitos da existência humana, partilhas em grupos e workshops… Além dos trabalhos paralelos, atividades esportivas uniram jovens, crianças e adultos numa atmosfera de paz e abertura ao outro. No estilo de uma pousada, Nees Ammin, ou Milagres para as Nações em hebraico, é mantido com o trabalho de voluntários e sua filosofia casa bem com a mística do encontro.

Local como esse, na cidade de Akko, com área verde e tantas opções recreativas é algo raro em Israel e acaba atraindo famílias inteiras, de todas as religiões. Como se não bastasse o encontro reuniu muçulmanos, cristãos e judeus juntos, no mesmo evento, e teve a participação de 11 palestinos de Gaza, que puderam vir e desfrutar desse verdadeiro oásis de fraternidade.

É a primeira vez que Israel concede permissão também para os jovens. Todos ficaram sabendo poucas horas antes do início que teriam a liberação. É a primeira vez que Ghada Swailim se encontra especialmente com judeus. A princípio foi difícil, mas aprendeu que precisa ser um com todos.

O caráter ecumênico e inter-religioso do encontro ganhou ainda mais corpo com a explicação de um muçulmano sobre o Ramadã, mês de jejum para a fé islâmica. E… no início do Shabat, dia sagrado para os judeus, a oração conduzida por um rabino, que também comunga da espiritualidade focolarina.

O Rabino, Dr. Edgar Nof, da Congregação de Judeus Reformados, de Haifa, ficou realmente comovido de rezar com pessoas de outras línguas e religiões e fora da Sinagoga. Algo marcante que viveu foi durante a guerra em Gaza, quando decidiram rezar juntos, chamando também muçulmanos. Um dia após a oração, a guerra acabou.

Há quatro anos sua Congregação estuda o Novo e Antigo Testamento com os focolarinos e por isso se tornaram grandes amigos. Ele espera que esse movimento ecumênico possa crescer cada vez mais.

À noite, um grande festival para apresentar ao grande grupo o que foi aprendido nos workshops. O Núncio Apostólico da Terra Santa, Dom Antônio Franco, celebrou a Missa de encerramento.  Nesses dias, o carisma de Chiara Lubich, há mais de 30 anos presente em Israel, concretizou, ainda que em pequena instância, aquilo que a Comunidade Internacional e o mundo tanto almejam para a Terra Santa: a tolerância, a comunhão e o respeito à diversidade.

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